Brasil tricampeão consagra Pelé no México em 70

Image caption Pelé comemora gol marcado na final contra a Itália

Após o Brasil de 1966 ter pecado pela desorganização, disciplina não faltou à equipe de 70. Nem disciplina, nem talento. Na era da TV à cores, os brasileiros ganharam o tri, no México, e consolidaram a fama da Seleção Canarinho.

Em campo, Pelé, no seu ápice, Tostão, Jairzinho, Gérson e Rivelino. Fora dele, o major-brigadeiro Jerônimo Bastos comandava a delegação, um major era o seu assistente, o capitão do Exército Cláudio Coutinho, o supervisor, e, entre os preparadores físicos, um outro capitão, Carlos Alberto Parreira.

Curiosamente, em pleno regime autoritário no Brasil e com tantos militares na delegação que viajou ao México, coube a um simpatizante do Partido Comunista montar o time campeão, o jornalista João Saldanha.

Saldanha classificou o Brasil sem problemas nas eliminatórias, mas acabou afastado, depois de um atrito com o presidente da República, o general Médici.

Grupo difícil

Médici queria a convocação do atacante Dario, e Saldanha teria respondido que, por não palpitar sobre o Ministério, não aceitava palpites sobre a sua equipe.

Dois meses antes da Copa, o bicampeão mundial Zagallo substituiu o jornalista na Seleção. O novo técnico convocou Dario e fez algumas mudanças no time-base de Saldanha, entre elas Rivelino no lugar do ponta-esquerda Edu.

A Seleção caiu no grupo mais difícil do Mundial, ao lado da forte Tchecoslováquia, da Romênia e da então campeã do mundo, a Inglaterra.

No dia 3 de junho, no estádio Jalisco, em Guadalajara, o Brasil venceu a Tchecoslováquia por 4 a 1, de virada. Jairzinho brilhou com dois gols.

Nessa partida, Pelé tentou um gol do meio-de-campo, uma imagem até hoje repetida pelas TVs. O goleiro Viktor, adiantado, saiu em disparada de volta para a meta. Sem que nada pudesse fazer, ele viu a bola o encobrir e sair a um palmo da trave.

A segunda partida foi o grande teste do Brasil na Copa, a única em que a superioridade brasileira não foi clara e que a Seleção, pelo que os dois times apresentaram, poderia haver perdido.

Brasil x Inglaterra foi a melhor partida da Copa do Mundo de 70 e, para alguns, a melhor partida da história dos Mundiais. Era o ataque brasileiro de Pelé e Jairzinho, contra a defesa inglesa de Bobby Moore e do goleiro Gordon Banks.

O ataque do Brasil venceu os campeões do mundo, 1 a 0, gol de Jairzinho, passe de Pelé, jogada de Tostão. Essa seria a única partida da Copa em que a Seleção não tomaria gols.

Os brasileiros fecharam a primeira fase com um 3 a 2 sobre a Romênia. Nas quartas-de-final, o confronto foi com o Peru, treinado pelo brasileiro Didi, companheiro de Pelé e Zagallo na campanha de 1958. O Brasil venceu por 4 a 2.

Na semifinal, a Seleção Brasileira encarou um conhecido rival, de amargas lembranças. Vinte anos depois da tragédia do Maracanã, o Brasil enfrentava o Uruguai numa Copa do Mundo.

Sem sair de Guadalajara, a Seleção começou o jogo nervosa, e, numa falha da defesa o Uruguai fez 1 a 0. Fundamental para a vitória brasileira, foi o gol de Clodoaldo, nos últimos minutos do primeiro tempo.

No segundo tempo, o Brasil predominou. Jairzinho e Rivelino completaram o placar: 3 a 1. Pelé não marcou, mas a sua atuação e dribles na partida, registrados pelas então modernas câmeras de TV, entraram para a história.

Na final, os brasileiros pegaram a Itália, que em outro jogo memorável vencera nas semis a Alemanha por 4 a 3, na prorrogação. Imagem-símbolo da partida, o alemão Beckenbauer jogou parte do tempo com o braço enfaixado, preso junto ao peito.

No dia 21 de junho, na Cidade do México, a Jules Rimet iria em definitivo para a Europa ou para América do Sul. Brasil e Itália, bicampeões, lutavam ambos pelo tri.

Image caption A seleção de 70 é considerada um dos melhores times da história

Apesar do primeiro tempo terminar 1 a 1, gols de Pelé e Boninsegna, o Brasil não teve dificuldades para vencer. Gérson, Jairzinho e o capitão Carlos Alberto definiram na segunda etapa o placar: 4 a 1.

Os italianos foram derrotados por uma seleção, que, segundo muitos críticos, foi a melhor que já se apresentou numa Copa do Mundo.

A Jules Rimet, levantada pelo capitão Carlos Alberto Torres e conquistada em definitivo pelo Brasil, seria anos depois roubada na sede da confederação de futebol, no Rio de Janeiro, e possivelmente derretida pelos ladrões.

Grupo 1

México 0 x 0 URSS Bélgica 3 x 0 El Salvador URSS 4 x 1 Bélgica México 4 x 0 El Salvador URSS 2 x 0 El Salvador México 1 x 0 Bélgica

Grupo 2

Uruguai 2 x 0 Israel Itália 1 x 0 Suécia Uruguai 0 x 0 Itália Suécia 1 x 1 Israel Suécia 1 x 0 Uruguai Itália 0 x 0 Israel

Grupo 3

Inglaterra 1 x 0 Romênia Brasil 4 x 1 Tchecoslováquia Romênia 2 x 1 Tchecoslováquia Brasil 1 x 0 Inglaterra Brasil 3 x 2 Romênia Inglaterra 1 x 0 Tchecoslováquia

Grupo 4

Peru 3 x 2 Bulgária Alemanha Ocidental 2 x 1 Marrocos Peru 3 x 0 Marrocos Alemanha Ocidental 5 x 2 Bulgária Alemanha Ocidental 3 x 1 Peru Bulgária 1 x 1 Marrocos

Quartas-de-final

Brasil 4 x 2 Peru Alemanha Ocidental 3 x 2 Inglaterra Uruguai 1 x 0 URSS Itália 4 x 1 México

Semifinais

Brasil 3 x 1 Uruguai Itália 4 x 3 Alemanha Ocidental

Disputa pelo terceiro lugar

Alemanha Ocidental 1 x 0 Uruguai

Final

Brasil 4 x 1 Itália