Unasul diz que lei de imigração do Arizona gera risco de violência

Líderes da América do Sul presentes no encontro da Unasul
Image caption Os líderes não adotaram posição comum sobre Honduras

Os presidentes dos países da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) condenaram, nesta terça-feira, a lei de imigração aprovada pelo Estado americano do Arizona, afirmando que ela pode levar a episódios de violência racial.

Em declaração conjunta, os líderes dos doze países da entidade "rejeitam a criminalização das pessoas migrantes", contidas na lei, que permitiria a prisão de estrangeiros "de maneira discriminatória por considerações raciais, étnicas, linguagem e estatus migratório, diante do conceito questionável de dúvida razoável".

Segundo os líderes regionais, os efeitos poderiam ser a "legitimidade das atitudes racistas na sociedade de destino e risco latente de violência por ódio racial com lamentáveis episódios".

O texto afirma cidadãos da América do Sul já foram vítimas destes "lamentáveis episódios".

Os líderes, presentes à cúpula da Unasul na cidade argentina de Campana, próxima de Buenos Aires, também apoiaram a "rejeição (à lei) manifestada pelo próprio presidente dos Estados Unidos, Barack Obama".

A lei aprovada no Arizona considera crime a condição de migração irregular e ainda o transporte ou emprego para migrantes sem documentos.

Leia mais na BBC Brasil: Mexicanos convocam boicote contra o Arizona por lei de imigração

Paraguai e Malvinas

Na declaração conjunta, os líderes também expressaram "solidariedade" com o governo do presidente do Paraguai, Fernando Lugo, na "luta contra a violência criminal que afeta cinco departamentos (estados) do país" e "atenta contra cidadãos e as instituições do Estado".

Os líderes regionais apoiaram o Estado de exceção, decretado por Lugo nestes cinco dos 17 departamentos do país, "dentro do respeito aos direitos humanos e valores democráticos" e foram adotados "em defesa das liberdades na busca de maior bem-estar e segurança para o povo paraguaio".

A declaração da Unasul ainda reconhece os "legítimos direitos da Argentina na disputa com a Grã-Bretanha pela soberania das Ilhas Malvinas" (ou Falklands) e rejeitaram a "exploração dos recursos naturais" daquela região.

O documento inclui ainda a continuidade da ajuda ao Haiti e ao Chile, afetados por terremotos neste ano, mas não se manifesta sobre a situação de Honduras.

Os governos peruano e colombiano aprovaram a eleição do novo presidente Porfírio Lobo, mas Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile, Bolívia, Equador e Venezuela não aceitam a eleição.

O Brasil, como recordou o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, quer o retorno do presidente deposto Manuel Zelaya ao país e que ele exerça o direito de disputar cargos políticos.

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