Grã-Bretanha

Líder conservador britânico diz ter 'ampla oferta' para liberais-democratas

O líder do Partido Conservador, David Cameron

O partido liderado por Cameron obteve o maior número de cadeiras

O líder do Partido Conservador da Grã-Bretanha, David Cameron, disse nesta sexta-feira que enxerga diversas "áreas comuns" nas propostas do seu partido e nas do Partido Liberal Democrata e que tem uma "ampla oferta aberta" para formar uma aliança com o partido de liderado por Nick Clegg.

As declarações foram feitas horas depois de projeções terem revelado que nenhum partido obteve a maioria absoluta de 326 cadeiras no Parlamento nas eleições realizadas nesta quinta-feira.

Após a contagem dos votos em todas os 649 distritos eleitorais participantes, os resultados oficiais indicam que os conservadores conquistaram 306 cadeiras – ou 307, se incluído o assento do distrio de Thirsk and Malton, onde a eleição foi adiada por conta da morte de um candidato.

Com esse resultado, o Partido Conservador, apesar de ter obtido o maior número de cadeiras, ficou a apenas 30 assentos de conquistar a maioria clara no Parlamento.

O Partido Trabalhista do primeiro-ministro, Gordon Brown, finalizou as eleições com 258 cadeiras, os liberais-democratas ficaram em terceiro, com 57 assentos e agora são cortejados por conservadores e trabalhistas como potenciais parceiros de coalizão. Os outros partidos, juntos, conquistaram apenas 28 assentos no Parlamento.

Pela Constituição britânica, o primeiro-ministro que já está no poder em um Parlamento sem maioria absoluta tem o direito de fazer a primeira tentativa de formar uma coalizão para governar.

Gordon Brown disse, no entanto, que irá esperar pelas conversas entre Cameron e Clegg. Segundo o premiê, se essas negociações falharem, ele iniciaria conversas com os liberais-democratas.

Entenda como é formado um governo em caso de Parlamento sem maioria clara

'Economia de baixo carbono'

Em seu primeiro discurso longo após as eleições, Cameron identificou como suas prioridades o combate do déficit econômico e a rápida formação de um governo "forte e estável".

"Recebemos a pior herança de qualquer governo dos últimos 60 anos", afirmou o conservador, que deixou claro não estar disposto a negociar uma abertura maior da Grã-Bretanha à União Europeia nem cortes no orçamento de Defesa do país.

Cameron disse estar disposto a "ajudar os liberais-democratas a implementar partes do seu projeto".

Como exemplo disso, ele citou estímulos a uma "economia de baixo carbono" e a reforma do sistema eleitoral.

Por sua vez, Brown disse que seu partido tem interesses e propostas comuns com os liberais-democratas, principalmente nas áreas de economia e reforma política.

Primeira vez em 36 anos

Pela primeira vez desde 1974, a Grã-Bretanha sai de uma eleição geral sem que um partido tenha alcançado a maioria absoluta para formar um novo governo.

Os conservadores obtiveram pelo menos 298 cadeiras, os trabalhistas - partido do primeiro-ministro, Gordon Brown - 253 e os liberais-democratas 54.

David Cameron tenta chegar ao poder após 13 anos de governo dos trabalhistas.

O pleito elegeu parlamentares e representantes distritais em 164 áreas em toda a Grã-Bretanha. No total, quase 4.150 candidatos disputaram estas eleições.



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