Chanceler alemã pede rapidez nas reformas na zona do euro

Image caption Merkel e Sarkozy disseram estar comprometidos com a sobrevivência do euro

A Chanceler alemã, Angela Merkel, pediu nesta sexta-feira que os esforços para a reforma do sistema financeiro nos países que adotam o euro sejam acelerados.

Durante encontro em Bruxelas para discutir maneiras de evitar o alstramento da crise financeira da Grécia, Merkel disse "não existir mais tempo" para protelar uma nova regulamentação dos mercados.

A líder alemã e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, assinaram uma carta conjunta, publicada no jornal francês Le Monde, onde defendem iniciativas para estabilizar mercados e forçar países do bloco a cuidar melhor de suas finanças.

Entre as medidas estão um controle mais rigoroso das dívidas dos países-membros, a criação de um fundo, pelo setor bancário, para resgate de países em crise e a imposição de limitar à atuação das agências de classificação de risco.

A forma como as finanças gregas foram afetadas depois que a agência Standard & Poor’s rebaixou a nota da dívida do país "nos deve fazer pensar sobre o papel de agências de crédito na propagação da crise", diz a carta.

Ambos afirmaram estar "totalmente comprometidos em preservar a solidez, estabilidade e unidade da zona do euro".

Ajuda à Grécia

Também nesta sexta-feira, o Parlamento alemão aprovou a contribuição da Alemanha, a maior entre os europeus, para o pacote de socorro financeiro à Grécia, que corresponde a cerca de 22 bilhões de euros (mais de R$ 52 bilhões).

Muitos alemães são contra a liberação do dinheiro para a Grécia, mas Merkel defendeu a pesada participação do país afirmando que o futuro da União Europeia está em jogo.

Ela disse que se os 27 países-membros do bloco não atuarem juntos em crises como a atual, "os mercados não serão capazes de agir".

A Itália já aprovou a liberação de 5,6 bilhões de euros do total de 14,8 bi de euros referente à sua parcela no pacote de socorro. A França também já aprovou a sua participação, com um montante igual ao total italiano.

No Brasil, o governo anunciou que deve fazer um aporte de US$ 286 milhões no FMI (Fundo Monetário Internacional), vindo das reservas internacionais do país, para ajudar a combater a crise grega.

O FMI deve entrar com cerca de 30 bilhões de euros do total de 110 bilhões de euros (equivalentes a cerca de US$ 140 bilhões) do pacote de ajuda à Grécia.

Leia mais na BBC Brasil mais sobre a crise financeira na Grécia

Risco de calote

O déficit público da Grécia, de 12,7% do PIB, está quatro vezes acima do previsto pelas regras da zona do euro e impostas aos 16 países da União Europeia que adotam a moeda.

O pacote de socorro é visto como uma “parede de contenção” do bloco para garantir os pagamentos dos empréstimos gregos e acalmar os mercados, evitando que a crise se espalhe ainda mais para outros países.

Portugal e Espanha também enfrentam grandes déficits.

A possibilidade de a Grécia ou um desses outros países não conseguir pagar suas dívidas é considerada a maior ameaça já enfrentada pela moeda única europeia.

O pacote de ajuda à Grécia estava condicionado à adoção de uma série de medidas, altamente impopulares, para a contenção de despesas no país.

Violentos protestos contra essas medidas deixaram pelo menos três mortos na capital grega, Atenas, na quarta-feira.

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