França liberta iraniano dois dias após retorno de francesa

Ali Vakili Raid (esq.) deixa a prisão de Poisy, nos arredores de Paris, na terça-feira (Foto AP)
Image caption Ali Vakili Rad foi condenado pela morte de primeiro-ministro do regime do xá Reza Pahlavi em 1991

Dois dias após o retorno a Paris da estudante universitária francesa Clotilde Reiss, detida no Irã durante dez meses sob acusação de espionagem, a Justiça da França concedeu, nesta terça-feira, liberdade condicional para o iraniano Ali Vakili Rad, assassino do ex-primeiro-ministro Chapour Bakhtiar sob o regime do xá Reza Pahlavi.

A proximidade das datas da libertação da universitária e do iraniano desencadearam na França suspeitas sobre uma eventual troca de prisioneiros. Mas o governo francês nega qualquer negociação com Teerã nesse sentido.

"A libertação de Reiss não ocasionou nenhuma troca nem contrapartida", declarou o chanceler francês, Bernard Kouchner.

No dia 5 de maio, a Justiça francesa já havia recusado a extradição para os Estados Unidos do engenheiro iraniano Majid Kakavand, acusado de ter fornecido ao Irã componentes eletrônicos para uso nuclear militar.

O engenheiro, que estava detido na França há pouco mais de um ano, foi solto e retornou ao Irã no dia 7 de maio.

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, havia dito abertamente que exigia a libertação dos dois iranianos para atender o pedido do governo francês em relação a Clotilde Reiss, implicada em movimentos de contestação após a releição de Ahmadinejad e acusada de suposta espionagem.

Em setembro passado, Sarkozy havia declarado que “não aceitaria chantagens” e que “não poderia trocar uma jovem estudante inocente contra o assassino do ex-primeiro ministro Bakhtiar”.

Vakili Rad foi condenado à prisão perpétua na França, com a obrigatoriedade de cumprir uma pena mínima de 18 anos de detenção, pelo assassinato, em 1991, de Chapour Bakhtiar, nos arredores de Paris.

Legalmente, Rad já havia cumprido os 18 anos e poderia solicitar sua liberdade condicional. Em fevereiro passado, a Justiça havia examinado o pedido, mas alegou a necessidade de um decreto de expulsão para os estrangeiros, que deve ser assinado pelo governo, e marcou nova análise do caso nesta terça-feira.

O ministro do Interior, Brice Hortefeux, assinou o decreto de expulsão de Rad na segunda-feira, no dia seguinte ao retorno da universitária à França.

"O decreto de expulsão é apenas uma consequência administrativa de uma decisão da Justiça. Ele foi assinado", argumentou o ministro do Interior.

Vakili Rad já deixou a prisão de Poissy, nos arredores de Paris, e deve deixar a França na tarde (pelo horário local) desta terça-feira, segundo seu advogado, Sorin Margulis.

"Sua libertação não deve ser interpretada como uma troca", disse o advogado de Rad.

A libertação de Clotilde Reiss foi anunciada pela Justiça iraniana no último sábado, dia em que o presidente Lula chegou a Teerã para uma visita oficial.

Em um comunicado divulgado no domingo, a presidência francesa agradeceu “particularmente ao presidente do Brasil, Lula, do Senegal, Abdoulaye Wade, e da Síria, Bachar Al Assad, pelo papel ativo a favor da libertação” da jovem francesa.

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