Índia investiga acidente aéreo que deixou 158 mortos

Local do acidente perto do aeroporto de Mangalore, Índia
Image caption Avião saiu da pista e acabou parando em uma floresta

As autoridades da Índia iniciaram uma investigação a respeito da queda do Boeing 737 da empresa aérea Air India Express, que matou 158 pessoas.

As caixas-pretas da aeronave ainda não foram encontradas.

De acordo com as autoridades do país, entre os 166 passageiros e tripulação que estavam a bordo do voo 812 que vinha de Dubai, apenas oito sobreviveram.

O avião se incendiou quando tentava pousar na pista do aeroporto da cidade de Mangalore, sul da Índia, e acabou indo parar em uma floresta em um vale, no fim da pista.

O ministro da Aviação da Índia, Praful Patel, afirmou que se sente "moralmente responsável".

"Como chefe da família da aviação civil, me sinto muito entristecido e também angustiado", disse Patel a jornalistas em Nova Déli, depois de comunicar o acidente ao primeiro-ministro Manmohan Singh.

"A visibilidade no momento do acidente era de aproximadamente seis quilômetros. Os ventos eram fracos e não havia chuva, na verdade, a pista estava seca. Nestas circunstâncias, parece que seria uma aproximação e pouso normais. Mas, infelizmente, parece que a aeronave pousou um pouco além do que seu limite normal e ultrapassou a pista", acrescentou o ministro.

Sobreviventes

Segundo o correspondente da BBC em Delhi, Sanjoy Majumder,as equipes de resgate já conseguiram retirar quase todos os corpos das vítimas do acidente.

O correspondente afirma que todos os passageiros a bordo eram indianos e a maioria eram trabalhadores migrantes que voltavam para casa. Entre eles havia até 20 crianças.

Sobreviventes disseram ter ouvido um forte estrondo, semelhante ao barulho de um pneu estourando, pouco antes de o avião bater, sugerindo que o avião parece ter atingido alguma coisa enquanto pousava.

Falando à TV indiana de sua cama, no hospital, o sobrevivente Umer Farooq afirmou que ouviu um estrondo quando a nave tocou o solo.

Image caption O ministro Praful Patel afirmou que se sente 'moralmente responsável' por acidente

"O avião se desviou em direção a algumas árvores próximas e a cabine se encheu de fumaça. Fiquei preso em alguns cabos, mas consegui escapar", disse ele.

Farooq estava sendo tratado depois de ter sofrido queimaduras nos braços, pernas e rosto.

Outro sobrevivente, KP Manikutty, disse que a aterrissagem, em princípio, parecia correr bem, quando o avião se chocou contra as árvores, inesperadamente.

"Imediatamente após tocar o solo o avião balançou e pouco depois se chocou contra alguma coisa", disse ele.

"Aí, ele se partiu ao meio e pegou fogo. Eu pulei pela abertura", acrescentou.

O governo indiano já informou que vai oferecer uma indenização de US$ 4 mil para as famílias das vítimas.

Acesso difícil

O correspondente da BBC afirma que, como não há indicação de comunicação indicando problemas entre a cabine e a torre de comunicação, as autoridades agora se concentram na busca pelas caixas-pretas da aeronave, para estabelecer a causa do acidente. Uma equipe da Boeing já está a caminho para ajudar nas investigações.

A companhia aérea – uma subsidiária da empresa estatal Air India, mas com passagens de baixo custo – afirmou que o avião se chocou contra as árvores quando tentava pousar, as 06h00, hora local (21h30 em Brasília).

O aeroporto de Mangalore fica no alto de uma colina com vales cobertos de florestas no fim e em volta da pista de pouso. Segundo analistas, pousar no local representa um desafio para pilotos. Mas, para o ministro Patel, a pista obedece aos parâmetros.

"Exceto pelo comprimento da pista, que, como eu já disse, é suficiente para um parâmetro normal, como determinado para a operação deste tipo de aeronave, eu diria que, esta é uma pista autorizada", afirmou Patel.

Segundo a mídia local, o piloto foi identificado como o sérvio Zlatko Glusica. Ele teria 10 mil horas de voo, inclusive experiência com o aeroporto de Mangalore.

O avião não tinha mais do que três anos e este foi o primeiro acidente da companhia, fundada há cinco anos.

O histórico de segurança aérea na Índia é bom, apesar do rápido crescimento de companhias privadas no país, na última década.

O último grande acidente aéreo na Índia ocorreu na cidade de Patna em julho do ano 2000, quando 50 pessoas morreram.

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