Após 'isolamento' na África do Sul, seleção tem recepção calorosa no Zimbábue

Meninos zimbabuanos esperam no hotel conseguir autógrafo dos jogadores brasileiros (Foto: Reuters)
Image caption Seleção faz a festa dos meninos caçadores de autógrafos. (Foto: Reuters)

A seleção brasileira foi recebida com festa no Zimbábue, onde a equipe joga nesta quarta-feira o primeiro amistoso de preparação para a Copa do Mundo.

A recepção calorosa foi um contraste com o acolhimento recebido em Johanesburgo, onde a seleção chegou na semana passada. Na África do Sul, o Brasil desembarcou em um terminal de cargas e seguiu direto para o hotel.

Em Johanesburgo, o pouco contato que os jogadores tiveram com torcedores e sul-africanos foi no trajeto entre os treinos e o hotel na tarde de sábado, quando o time teve folga. Ainda assim, poucas pessoas mudaram sua rotina para receber os jogadores.

No Zimbábue, dezenas de pessoas foram às 22h ao aeroporto internacional para receber os jogadores, que desembarcaram na pista seguindo direto para o ônibus. A equipe foi recepcionada por autoridades do Zimbábue e pelo capitão da seleção, Benjani Mwaruwari, que jogou com Robinho no clube inglês Manchester City.

Os torcedores que observavam o desembarque de longe vibraram muito quando Robinho abraçou Benjani.

Quando o ônibus deixou o local, dezenas de pessoas correram atrás do veículo. No hotel, a seleção também foi recebida com festa tarde da noite.

Meio expediente

O jogo de quarta-feira está sendo tratado como uma festa no país. A manchete do The Herald, o principal jornal do país, é: "Os garotos do samba estão na cidade".

O jornal estampa uma foto de Kaká e Luís Fabiano desembarcando em Harare.

Os funcionários públicos trabalharão apenas meio expediente para poderem ver o jogo, que começa às 15h30 (10h30 no horário de Brasília).

O órgão que administra o funcionalismo público em Harare colocou vários ônibus a disposição dos trabalhadores para levá-los ao Estádio Nacional de Harare, que tem capacidade para 60 mil pessoas.

O policiamento para o jogo foi aumentado.

Ingresso caro

"As pessoas mais jovens estão muito emocionadas com este jogo e estão fazendo de tudo para ver o Brasil jogar", disse à BBC Brasil Gloria Alishande, que é gerente de um café em Harare.

"Mas outras pessoas mais velhas não entendem porque os jovens querem gastar tanto dinheiro para ver apenas um jogo de futebol."

Uma outra torcedora, que preferiu não se identificar, disse que o preço dos ingressos - que varia entre US$ 10 e US$ 60 - é muito alto.

Segundo ela, com US$ 10 - cerca de R$ 18 - é possível comprar quatro litros de óleo de cozinha, duas barras de sabão e quatro quilos de açúcar. Com US$ 60, diz ela, é possível comprar três casacos feitos de bons tecidos.

A renda per capita anual do Zimbábue é inferior a US$ 400, segundo dados do FMI.

O Zimbábue passa por graves problemas econômicos. Em 2008, o país enfrentava um problema crônico de inflação e chegou a emitir uma nota de um trilhão de dólares zimbabuanos, que na prática valia muito pouco.

A economia do Zimbábue foi dolarizada, o que conteve a hiperinflação, mas ainda assim o país tem muita miséria.

Contraste

O contraste da pobreza do Zimbábue com os números milionários da seleção brasileira é enorme.

Kaká, o jogador mais valioso do clube, foi vendido do Milan para o Real Madrid no passado por um valor estimado em US$ 100 milhões.

Zimbábue e Brasil jogam nesta quarta-feira às 15h30 (10h30 no horário de Brasília) no Estádio Nacional de Harare.

O jogo é o primeiro de dois amistosos que o Brasil fará antes da estreia na Copa do Mundo, no dia 15 de junho. O último amistoso será no dia 7 em Dar es Salaam contra a Tanzânia.

À noite, após a partida contra o Zimbábue, o Brasil volta para Johanesburgo, onde retoma os treinamentos na quinta-feira.