Pornôs de Destruição em Massa

Ivan Lessa em ilustração de Baptistão

Outro dia mesmo aluguei um DVD de um filme engraçado até pouco mais da metade. Com o George Clooney fazendo razoavelmente comédia além dos habituais zóinhos e boquinhas.

No Brasil, levou – se já levaram – o nome de Homens Que Encaravam Cabras. O filme é baseado, até certo ponto, nas experiências que o exército americano andou, ou ainda anda, fazendo com o paranormal. Baseado em parte numa reportagem de um jornalista e radialista britânico chamado Jon Ronson. Por sinal, há tempos, com o próprio Ronson, virou um excelente documentário de televisão.

Ao filme.

Exatamente o que o nome indica. Uma unidade militar americana às voltas com coisas da New Age (Nova Era, parece nome de armarinho) com o objetivo de criar uma companhia, se possível até mesmo um batalhão, de militares superdotados capazes de com os simples (simples?) poderes da mente humana influenciar os outros, civis ou não. Ou mesmo, sem respeitar as limitações da física, objetos inanimados. Ou seja: violando as regras básicas de se viver e estar no mundo.

No filme, e na reportagem baseada em entrevistas verídicas, são mostradas, ou narradas, como no segundo caso, alguns exemplos tais como projeções astrais, atravessar paredes, dispersar nuvens, e até mesmo, conforme o título de reportagem, livro e filme, encarar até a morte uma cabra ou um bode. Este último letal exercício seria apenas o primeiro passo para uma tropa de elite (inclusive dessas que sobem favela no morro) olhar firme para um adversário até este passar desta para o que chamam de “melhor”.

Todo mundo sabe, ou pelo menos eu já sabia, que nos anos 50, auge da Guerra Fria, tanto americanos quanto soviéticos andaram fazendo experiências para valer com o paranormal. E que a CIA planejou a sério enviar mortíferos charutos explosivos para Fidel Castro. Nada de paranormal nisso. Apenas normal. Lá para eles da CIA. Na guerra do Vietnã, não foram só os pracinhas que pegaram uma onda indo de ácido. O LSD, lembram? Tentem um flashback.

E muitas outras peraltices, palhaçadas e, sejamos francos, safadezas desenfreadas.

Semana passada, em jornal de qualidade, americano, li a respeito de um plano para acabar com todos os planos. Esse era um tiquinho mais sofisticado do que o simples encarar cabra ou bode nos olhos e matar.

Segurem aí.

A CIA, juntamente com outras agências secretas dos Estados Unidos, chegou a planejar um esquema dos mais diabólicos. Sem projeções astrais, frise-se. Apenas projeções. Em essência, era a própria simplicidade. Segundo o mais que respeitável Washington Post (é, aquele do Watergate), alguns funcionários graduados da infame CIA (a opinião é minha), de acordo com informações prestadas por um ex-agente da mesma, envolveram-se numa trama que visava forjar um tape supostamente ultra-secreto, em imagens algo borradas, mas perfeitamente revelatórias, mostrando Saddam Hussein peladão numa cama rolando e se divertindo com uma dupla de garotões, tal qual Júpiter fazia com Ganimedes. Era para parecer como “se tivesse sido filmado por uma câmera secreta”, acrescentou, algo redundante o tal ex-agente.

Nem o prestigioso jornal nem o ex-agente chegaram ao detalhe de dizer em que altura da satânica, ou “saddâmica”, empreitada foi a mesma abandonada.

Se é que foi mesmo abandonada. Vai ver passavam o filmeco nos cinemas de Bagdá antes da atração principal e logo depois do desenho do Tom & Jerry. E o suposto flagrante documentário era saudado com entusiásticos assobios, aplausos e gritos de “viva!” Além de ser facilmente encontrável, em VSH ou DVD, nas boas lojas do ramo da cidade.

Quanto às lendárias Armas de Destruição em Massa, capazes de serem ativadas em 45 minutos, segundo o ex-primeiro-ministro britânico, e hoje bilionário, Tony Blair, essas mais dia, menos dia acabarão sendo encontradas. Possivelmente por homens que encaram cabras e bodes.