Turquia estuda reduzir relações com Israel, diz vice-premiê

Manifestantes no funeral do ativista Furkan Dogan
Image caption Funeral de ativista atraiu dezenas de manifestantes na Turquia nesta sexta

O governo da Turquia está estudando a possibilidade de reduzir laços econômicos e militares com Israel, apesar de ressaltar que não pretende cortar relações com o país, disse nesta sexta-feira o vice-primeiro-ministro turco, Bulent Aric.

A medida ocorre após o ataque israelense a barcos que tentavam furar o bloqueio a Gaza para entregar ajuda humanitária e que matou nove ativistas - oito deles turcos - na madrugada da última segunda-feira.

"Podemos reduzir nosso relacionamento com Israel ao mínimo, mas imaginar que tudo o que se refere ao país vai parar ou que os riscaremos de nossa agenda de telefones não é o costume de nosso país", disse Aric à rede de televisão NTV.

O correspondente da BBC em Istambul, Jonathan Head, afirma que o vice-primeiro-ministro da Turquia deixou claro que o incidente vai provocar consequências de longo prazo para os dois países.

De acordo com Head, o governo turco deve decidir qual medida adotar uma vez que os ânimos estiverem menos exaltados.

Manifestações

Na quinta-feira, cerca de 20 mil pessoas compareceram aos funerais dos ativistas mortos - muitos dos presentes gritaram palavras de ordem contra Israel. Na sexta-feira, outra manifestação em Istambul reuniu cerca de 10 mil pessoas.

Além dos oito ativistas turcos, a nona vítima fatal, Furkan Dogan, de 19 anos, nasceu nos Estados Unidos, mas mudou-se ainda criança para a Turquia. Ele foi sepultado nesta sexta-feira na cidade de Kayseri, na região central da Turquia, em um evento que atraiu mais manifestantes.

As versões sobre o que ocorreu na operação reforçam a hostilidade entre os ativistas e as autoridades israelenses. Israel afirma que seus homens foram agredidos pelos ativistas quando invadiram a embarcação, mas os ativistas dizem que os militares israelenses usaram força desproporcional.

O número de vítimas também provoca discordâncias. Enquanto Israel afirma que nove ativistas teriam morrido, a cineasta brasileira Iara Lee, presente na embarcação, diz que, pela conta do grupo de ativistas, "19 pessoas morreram".

Leia mais aqui: 'Vi muito sangue e comecei a passar mal', diz brasileira sobre ataque de Israel

A imprensa israelense afirma que militares israelenses identificaram um dos passageiros a bordo do navio invadido como sendo o líder de um grupo de mercenários que teria sido recrutado em uma cidade turca.

Barco

Em Israel, um memorial em homenagem a soldados turcos que morreram na 1ª Guerra Mundial foi vandalizado nesta sexta-feira na cidade de Beersheva, com pichações exaltando as Forças Armadas israelenses.

Image caption O barco fazia parte da frota atacada na segunda-feira pelo Exército israelense

Na Grécia, o governo do país anunciou nesta sexta-feira que vai investigar alegações de que 37 ativistas gregos detidos na operação israelense teriam sofrido maus-tratos.

Espera-se que um barco de bandeira iralandesa, que planeja furar o bloqueio israelense a Gaza, chegue na manhã de sábado às águas territoriais israelenses.

Mas Israel já avisou que não vai permitir a chegada do barco e insiste que ele seja desviado para um porto israelense ou para o Egito, onde a carga poderia ser inspecionada antes de seguir para o território palestino por terra.

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