Vídeos dão versões opostas sobre destino de cientista iraniano

Vídeo mostrado pela TV iraniana
Image caption No vídeo mostrado no Irã, Amiri diz ter sido sequestrado

Dois vídeos, um divulgado no Irã e outro colocado no site YouTube, apresentam visões opostas sobre o destino de um cientista do Irã que poderia conhecer segredos do programa nuclear do país.

O governo iraniano afirmou nesta terça-feira ter provas de que Shahram Amiri - que desapareceu há um ano durante uma peregrinação à Arábia Saudita - foi sequestrado e está sendo mantido nos Estados Unidos.

O vídeo divulgado na TV iraniana mostra um homem identificado como o cientista dizendo estar na cidade de Tucson, no Estado americano do Arizona, para onde teria sido levado contra sua vontade.

Entretanto, na segunda-feira, um outro vídeo, postado no YouTube, supostamente mostra Amiri dizendo estar feliz por estar nos Estados Unidos.

Segredos

Amiri trabalhava como pesquisador em uma universidade de Teerã, segundo a imprensa iraniana.

Mas outros relatos diziam que ele trabalhava para a Organização de Energia Atômica do Irã e que teria um conhecimento profundo sobre o programa nuclear do país.

No vídeo da TV estatal iraniana, o homem diz ter sido forçado a dizer que desertou com um laptop cheio de informações sobre os segredos nucleares iranianos e que agora ele estaria sendo usado para pressionar o Irã.

O vídeo mostrava o homem usando fones de ouvido e aparentemente falando a uma webcam. Logo no início, ele afirma que a gravação estava sendo feita no dia 5 de abril.

Ele diz que estava na cidade saudita de Medina, no dia 3 de junho de 2009, quando teria sido drogado e sequestrado em uma operação conjunta dos serviços de inteligência americano e saudita.

“Quando recobrei a consciência, estava a bordo de um avião americano a caminho dos Estados Unidos”, afirmou.

Ele disse ainda ter sido torturado para dizer em uma entrevista à imprensa americana que era uma figura importante no programa nuclear iraniano e que havia pedido asilo nos Estados Unidos por sua própria vontade.

“O principal objetivo disso era impor pressão política sobre a República Islâmica do Irã e condenar de fato o Irã e provar as mentiras que os Estados Unidos vêm dizendo constantemente contra a República Islâmica do Irã”, diz ele.

Contradição

Image caption No vídeo postado no YouTube, Amiri diz estar livre nos EUA

No vídeo disponível no YouTube, o homem identificado como Amiri diz que está vivendo com segurança e que pretende terminar seus estudos para um doutorado nos Estados Unidos.

“Estou livre aqui e garanto a todos que estou em segurança”, diz o homem em persa no vídeo postado no dia 7 de junho no site pelo usuário shahramamiri2010.

“Meu objetivo na conversa de hoje é colocar um fim a todos os rumores e acusações que foram levantadas contra mim no último ano. Sou iraniano e não tomei caminhos contrários à minha pátria”, disse ele.

“Não tenho nenhuma posição política e não tenho interesse nos temas e nas discussões políticas de qualquer Estado ou país. Não estou envolvido em pesquisas de armamentos e não tenho experiências nesse campo.”

Nem os Estados Unidos nem a Arábia Saudita comentaram as acusações iranianas sobre o suposto sequestro de Amiri.

Em março, a rede americana de TV ABC mostrou uma reportagem que afirmava que Amiri havia desertado e que estaria ajudando a fornecer informações à inteligência americana sobre o programa iraniano para armamentos nucleares.

Os Estados Unidos e seus aliados acreditam que o Irã está tentando desenvolver armamentos nucleares, mas o governo iraniano nega a acusação e diz que seu programa nuclear tem fins pacíficos.

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