Líder do Irã ameaça não negociar mais se sanções forem aprovadas

Mahmoud Ahmadinejad se encontra com o presidente turco Abdullah Gul em Istambul
Image caption Ahmadinejad teve encontro com outros líderes em Istambul

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou que seu país desistirá de manter negociações sobre seu programa nuclear caso o Conselho de Segurança da ONU aprove novas sanções contra o país.

Durante uma visita a Istambul, na Turquia, para uma reunião regional sobre segurança, o líder iraniano afirmou que a recente proposta de acordo nuclear, mediada por Brasil e Turquia, era uma oportunidade única que não será repetida.

"O acordo de Teerã mostrou a todos que não apenas a Turquia e o Brasil, mas muitos outros países do mundo, querem o progresso na atual situação. O acordo de Teerã deu aos Estados Unidos e seus aliados uma nova oportunidade e esperamos que eles usem esta oportunidade da melhor forma possível", afirmou.

Ahmadinejad disse ainda que, se os Estados Unidos, que defendem as sanções, não mudarem sua posição, "os primeiros a perder serão o presidente (Barack) Obama e o povo dos Estados Unidos".

"Se o governo americano e seus aliados pensam que podem levantar um bastão chamado resolução e então sentar e negociar com o Irã, eles estão muito enganados", afirmou.

Resolução pronta

Vários países, entre eles os Estados Unidos, acusam o governo iraniano de estar usando seu programa nuclear para tentar desenvolver armas atômicas. Teerã nega a alegação.

O acordo mediado por Brasil e Turquia - que prevê a troca de urânio do Irã, com baixo grau de enriquecimento, por urânio mais enriquecido, enviado por outro país para uso civil em território iraniano - foi rejeitado por Washington e outras potências ocidentais.

Uma resolução impondo um novo pacote de sanções contra o Irã por causa de seu programa nuclear já está pronta para ser votada pelo Conselho de Segurança da ONU.

Os diplomatas da ONU esperam que a resolução seja votada nos próximos dias, apesar de não contar com o apoio de todos os membros do Conselho de Segurança.

Brasil e Turquia, membros não-permanentes do Conselho, argumentam que uma nova rodada de sanções seria contraproducente, e que o acordo é uma nova oportunidade para o uso da diplomacia.

Alerta à Rússia

A versão final da resolução endurece as restrições financeiras e as inspeções de carga e expande o embargo limitado de armas.

A data exata da votação depende de um acordo sobre a lista anexa de indivíduos e entidades cujos bens seriam congelados e que estariam proibidos de viajar.

Alguns diplomatas acreditam que ela possa ser votada já na quarta-feira, e há poucas dúvidas de que a resolução será aprovada.

Alguns países membros do conselho poderão se abster ou votar contra as novas sanções, mas eles não têm poder de veto.

Ainda nesta terça-feira, o presidente iraniano fez um alerta à Rússia, comentando a possibilidade de o país apoiar as sanções.

"Somos vizinhos da Rússia e, naturalmente, devemos ser parceiros e amigos."

"Não há problemas entre nós, apenas um alerta: eles devem ter cuidado para não se aliarem com os inimigos do povo iraniano. Depende dos diplomatas russos agora. Esperamos e acreditamos que haverá uma solução e estas reuniões são para encontrar soluções", afirmou.

A pedido do Brasil e da Turquia, o Conselho de Segurança deve realizar mais uma reunião para discutir a questão do Irã antes de votar a resolução.

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