Banco Central eleva taxa de juros para 10,25% ao ano

Reais

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira, elevar a taxa básica de juros, a Selic, em 0,75 ponto percentual.

Com a decisão, tomada pelos diretores da autoridade monetária de forma unânime, os juros básicos da economia brasileira chegam a 10,25 %.

"Dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias ao cenário prospectivo da economia, para assegurar a convergência da inflação à trajetória de metas, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 10,25% a.a., sem viés", diz um comunicado divulgado pela autoridade monetária.

Este é o segundo aumento consecutivo da Selic promovido pelo Banco Central. Na última reunião, realizada em abril, a alta também foi de 0,75 ponto percentual.

O aperto monetário já era previsto pelo mercado e ocorre em meio a avaliações de que a economia brasileira possa estar "superaquecida", ou seja, crescendo acima de seu potencial.

Dados do IBGE divulgados nesta terça-feira mostram que a economia brasileira cresceu de forma expressiva no 1º trimestre do ano, com uma expansão de 2,7% em relação ao trimestre anterior. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o PIB cresceu 9%.

Diante desse cenário, analistas de mercado prevêem que o Banco Central eleve a Selic a 11,75% até o final do ano.

Crescimento acelerado

Economistas costumam estimar o PIB potencial do Brasil entre 4% e 5%. A explicação é de que um crescimento acima desse nível passe a exercer uma forte pressão sobre os preços, o que justificaria um aumento dos juros para conter a inflação.

No 1º trimestre, a economia cresceu 2,7% contra o período imediatamente anterior. Quando projetado para um período de um ano, o resultado equivale a uma expansão anual de 11,2%.

Muitos economistas argumentam que o Brasil ainda não tem estrutura para crescer a essa velocidade.

Leia também: Para economistas, país 'não suporta' crescimento tão rápido

“Infelizmente, ainda não suportamos um PIB desses. O resultado são apagões de infraestrutura, falta de mão-de-obra e inflação”, diz o professor de macroeconomia da FGV-SP Robson Gonçalves.

Já o governo argumenta que o resultado do 1º trimestre foi o “auge” da retomada econômica do país e que haverá uma “desaceleração” nos próximos trimestres.

Inflação

A inflação medida pelo IPCA, índice oficial utilizado pelo governo, acumula uma alta de 5,22% nos últimos 12 meses, acima do centro da meta do Banco Central, que é de 4,5%.

Os analistas de mercado veem a alta de preços como um indício de que a demanda no Brasil vem se expandindo a uma velocidade muito mais alta do que a da oferta.

A expectativa do mercado, medida pelo Banco Central, é de que a inflação de 2010 chegue a 5,67%.

A variação tem sido puxada principalmente pelo preço dos alimentos, mas diversos outros setores, como de commodities e construção civil, também preocupam os analistas.

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