Irã poderá revisar laços com agência nuclear da ONU

Instalação nuclear em Bushehr
Image caption Irã poderia restringir acesso de inspetores a instalações

O Parlamento do Irã planeja rever sua relação com a agência nuclear da ONU, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), informou nesta quinta-feira a imprensa estatal do país.

O anúncio foi feito pelo diretor do Comitê de Segurança Nacional e Política Exterior do Parlamento iraniano, Alaeddin Boroujerdi, um dia após a aprovação de novas sanções contra o país.

Boroujerdi não deu detalhes sobre quais aspectos da relação com a AIEA seriam revisados, mas uma possibilidade é restringir o acesso de fiscais da agência a instalações nucleares iranianas.

"O Parlamento (...) vai adotar no domingo uma lei de prioridade que fala da diminuição dos laços com a AIEA", disse Esmaeel Kosari, membro do Comitê, segundo a agência de notícias oficial iraniana Fars, em declaração reproduzida pela agência AFP.

Rússia

As novas sanções contra o Irã, por causa do programa nuclear do país, foram aprovadas na quarta-feira com o apoio de 12 dos 15 membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O Brasil e a Turquia, que são membros rotativos, sem direito a veto, votaram contra as sanções, e o Líbano se absteve.

As sanções contra o Irã, que preveem um aumento nas restrições à venda de armas ao país, foram aprovadas depois de terem sido amenizadas durante negociações com a Rússia e a China.

Leia mais na BBC Brasil sobre as sanções

A Rússia, por sua vez, informou nesta quinta-feira que não pretende suspender seu contrato de fornecimento de armas para o Irã.

De acordo com a agência de notícias russa Itar-Tass, a Rússia não se considera obrigada a aplicar a nova rodada de sanções da ONU no que diz respeito à venda dos mísseis terra-ar do sistema de defesa S-300 para o Irã.

"No que diz respeito à venda de S-300 para o Irã, a Rússia não é obrigada (a cumprir) com a resolução do Conselho de Segurança da ONU, e o trabalho sob este contrato irá em frente", disse o diretor do Serviço Federal Russo para Cooperação Militar e Técnica, Mikhail Dmitriyev, à Itar-Tass.

A Rússia concordou em fornecer ao Irã os sistemas S-300 em 2007, mas nunca entregou as armas.

Os Estados Unidos e Israel temem que os mísseis, projetados para enfrentar aeronaves e outros mísseis, poderão ser usados para proteger as instalações nucleares iranianas de possíveis ataques.

Mas, depois das informações de que o acordo para o sistema S-300 seria suspenso, as autoridades russas esclareceram que os mísseis não sujeitos às novas sanções.

"Naturalmente algumas restrições estão sendo impostas, mas apenas no que diz respeito a armas ofensivas. Fora estas, no entanto, existem várias questões nas quais vamos continuar trabalhando com o Irã", afirmou Dmitriyev.

Notícias relacionadas