BP planeja suspender pagamentos a acionistas devido a vazamento

Funcionários tentam limpar vazamento de petróleo na Louisiana
Image caption Funcionários tentam limpar vazamento de petróleo na Louisiana

A BBC apurou que a petroleira British Petroleum (BP) planeja anunciar na próxima semana a suspensão do pagamento de dividendos aos seus acionistas até que a escala total das responsabilidades da companhia sobre vazamento de petróleo no Golfo do México seja determinada.

De acordo com o editor de negócios da BBC Robert Peston, os membros da diretoria da BP estão discutindo o plano para atrasar o pagamento de 1,8 bilhão de libras (cerca de R$ 4,8 bilhões) por trimestre até que a crise possa ser controlada.

Segundo Peston, os diretores devem se reunir na segunda-feira para tomar a decisão. Mas, qualquer anúncio formal só será feito depois das negociações da companhia com o presidente americano, Barack Obama, na quarta-feira.

"Na prática, as discussões de segunda-feira (...) serão a respeito de quando suspender os pagamentos, por quanto tempo suspender os pagamentos, o que fazer com os bilhões de dólares que serão economizados", afirmou Peston.

A petroleira britânica está sob intensa pressão do governo americano, que quer que a BP use o dinheiro para pagar pela operação de limpeza no Golfo do México.

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O petróleo está vazando de um poço danificado a 1,5 mil metros de profundidade no Golfo do México desde a explosão da plataforma operada pela BP, a Deepwater Horizon, no dia 20 de abril, em um incidente que matou 11 trabalhadores.

Custo

Robert Peston afirma que, mesmo se o custo total da operação de limpeza, pagamento de multas e indenizações, exceder os 20 bilhões de libras (cerca de R$ 53,4 bilhões) como esperam os analistas, a BP acredita que tem os recursos para pagar esta conta.

As ações da BP registraram alta de 7,2% no mercado de ações de Londres nesta sexta-feira em relação às perdas registradas na quinta-feira. No entanto, o preço das ações da petroleira caiu quase pela metade desde o início do vazamento, no dia 20 de abril.

Nesta semana a crise gerada pelo maior desastre ambiental já ocorrido nos Estados Unidos tomou um rumo mais político, com o primeiro-ministro britânico David Cameron e outros ministros do governo da Grã-Bretanha comentando pela primeira vez o vazamento no Golfo do México.

O presidente da BP, Carl-Henric Svanberg, que deve se reunir com Obama na quarta-feira, conversou com David Cameron e com o ministro das Finanças, George Osborne.

Um porta-voz do governo britânico afirmou que Cameron disse ao presidente da BP que está "frustrado e preocupado" com o dano ambiental causado pelo vazamento de petróleo.

"Ele disse que é do interesse de todos que a BP continue a ser uma companhia financeiramente forte e estável", afirmou o porta-voz.

David Cameron deve discutir a questão com o presidente americano, Barack Obama, durante um telefonema no sábado.

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