África do Sul recebe a maior festa do futebol

Image caption A Fifa diz que vendeu 97% dos ingressos para a Copa

A África do Sul está a poucas horas de dar início nesta sexta-feira ao maior evento do futebol mundial, a primeira Copa em território africano.

A primeira partida da 19ª edição do torneio, entre África do Sul e México, será iniciada às 16h (11h em Brasília) no estádio Soccer City, em Johanesburgo, com capacidade para 94 mil pessoas.

Havia uma grande expectativa sobre a presença, no estádio, do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, de 91 anos, para acompanhar pelo menos parte do jogo.

O diretor de comunicação da Fundação Mandela, Sello Hatant, disse à BBC que ainda não era possível confirmar a presença de Mandela na festa de abertura, após a morte da bisneta do ex-presidente em um acidente de carro ocorrido na noite de quinta-feira.

Zenani Mandela, de 13 anos, morreu após o carro em que viajava capotar quando voltava para casa do show de abertura da Copa em Soweto.

"Ainda é cedo para confirmar a presença de Mandela. Mas mesmo com essa tragédia temos que lutar para que tenhamos uma Copa memorável".

Estima-se que centenas de milhões de pessoas de mais de 215 países acompanharão o torneio, marcado para terminar no dia 11 de julho.

Mandela

O presidente sul-africano, Jacob Zuma, e o arcebispo Desmond Tutu também devem estar presentes no estádio.

"A África do Sul nunca mais será a mesma após esta Copa do Mundo", disse Zuma, que elogiou o envolvimento de Mandela nos esforços para levar a Copa ao país, em 2004.

"Nelson Mandela trabalhou duro para que conquistássemos o direito de sediar o torneio. Dedicamos a Copa do Mundo a ele. Existem alguns momentos que definem a história de uma nação. Estamos próximos de um com a Copa do Mundo", acrescentou.

As festividades começaram na quinta-feira com um show que reuniu artistas como a colombiana Shakira.

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Desde que foi escolhida sede do torneio em 2004, a África do Sul gastou cerca de US$ 5,2 bilhões (quase R$ 11,5 bilhões) em estádios, infraestrutura de transporte e reforma em aeroportos.

O torneio de 32 países pode contribuir com um aumento de 0,5% no PIB do país, trazendo cerca de 370 mil visitantes estrangeiros.

Sonhos e preocupações

"Para mim, será um sonho que torna-se realidade", disse Danny Jordan, do comitê organizador. "É um grande momento nos 80 anos de Copa."

"As pessoas diziam que nenhum outro país africano poderia ser sede deste evento, mas estamos mostrando que não apenas podemos nos equiparar aos outros como podemos fazer melhor", completou.

Além do Soccer City, nove outros estádios no país vão ser sede da Copa. Cidade do Cabo, Pretória, Polokwane, Rustenburgo, Bloemfontein, Porto Elizabeth, Durban e Nelspruit, além de Johanesburgo, vão sediar os 64 jogos. A final será no Soccer City em 11 de julho.

A Fifa foi criticada pela forma como distribuiu ingressos, com muitos afirmando que a comercialização online alienaria sul-africanos sem acesso à internet.

Mas a entidade separou ingressos exclusivos para sul-africanos e, na quarta-feira, anunciou que 97% dos 3,1 milhões de ingressos haviam sido vendidos, espantando o temor de estádios vazios.

Havia também preocupação quanto à segurança de torcedores, imprensa e jogadores. Uma confusão na entrada do amistoso entre Nigéria e Coreia do Norte, no último fim de semana, deixou 16 feridos, incluindo dois policiais.

Jornalistas espanhóis, portugueses e chineses foram vítimas de dois assaltos separados nesta semana. No entanto, o presidente da Fifa, Sepp Blatter, insiste que a Copa será um sucesso.

"Por todo canto é possível sentir que essa Copa do Mundo é muito especial, a primeira em solo africano. Essa competição mostrará que os sul-africanos e o continente em geral podem organizar um torneio de tal magnitude", afirmou Blatter.