Israel inclui estrangeiros em comissão para investigar ataque a frota

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu (arquivo)
Image caption Israel rejeitou investigação internacional mas incluiu estrangeiros

O governo de Israel nomeou uma comissão especial para investigar o ataque à frota que tentou furar o bloqueio à Faixa de Gaza no dia 31 de maio, em um episódio que deixou nove mortos.

Por pressão internacional, Israel concordou em incluir dois estrangeiros entre os cinco membros do grupo: o prêmio Nobel da Paz David Trimble - um dos articuladores do acordo de paz na Irlanda do Norte de 1998 - e o promotor militar aposentado canadense Ken Watkin.

A proposta de criação da comissão será submetida nesta segunda-feira pelo primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, ao Gabinete israelense.

O ataque de Israel à frota de seis barcos que tentavam levar toneladas de ajuda humanitária a Gaza deixou nove mortos e pôs Israel sob uma barragem de críticas internacionais. Ativistas que integravam a frota dizem que os soldados atiraram sem provocação. Já Israel afirma que suas tropas agiram em legítima defesa, quando foram atacadas ao tentarem entrar em um dos barcos.

A decisão de criar uma comissão com a presença de estrangeiros foi uma solução alternativa do governo para tentar evitar uma investigação internacional sobre o episódio, que Israel já havia rejeitado.

O presidente da comissão será o juiz israelense Yaakov Tirkel, ex-integrante da Suprema Corte do país.

'Passo importante'

Comentando a decisão israelense, o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse no domingo que a comissão é "um importante passo adiante".

"Esperamos que a comissão israelense e a investigação militar sejam realizadas logo. Também esperamos que, após o fim dos trabalhos, as conclusões sejam apresentadas publicamente e à comunidade internacional", disse Gibbs.

Segundo o comunicado do Gabinete de Netanyahu, as observações da comissão serão apresentadas logo após serem submetidas ao governo, à exceção daquelas cuja publicação "possa causar dano substancial à segurança nacional, as relações internacionais, o bem-estar ou a privacidade de qualquer indivíduo ou os métodos operacionais confidenciais de entidades autorizadas".

"Todos os órgãos do governo cooperação totalmente com a comissão e colocarão à sua disposição a informação e os documentos que ela requerer para cumprir suas funções, incluindo através do testemunho perante a comissão."

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