Acordo nuclear fechado com Brasil e Turquia ainda 'está vivo', diz Ahmadinejad

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, na China
Image caption Ahmadinejad afirma que o acordo com Brasil e Turquia ainda é válido

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou que o acordo nuclear fechado com o Brasil e a Turquia ainda é válido, apesar da imposição de novas sanções pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) na semana passada.

A quarta rodada de sanções contra o Irã foi aprovada na quarta-feira passada com o apoio de 12 dos 15 membros do Conselho de Segurança.

Brasil e Turquia, que votaram contra as sanções, vinham buscando uma solução diplomática para a questão nuclear iraniana e, no mês passado, firmaram um acordo com Teerã pelo qual o Irã se comprometia a enviar seu urânio com baixo nível de enriquecimento ao território turco e receber em troca material enriquecido o suficiente para uso civil, mas não militar.

Nesta terça-feira, Ahmadinejad afirmou que o acordo poderá ajudar a diminuir o conflito com os países ocidentais devido ao programa nuclear iraniano.

"A declaração de Teerã ainda está viva e pode ter um papel nas relações internacionais mesmo se as arrogantes potências (ocidentais) estiverem preocupadas e com raiva”, disse Ahmadinejad na televisão estatal iraniana durante uma reunião com o presidente do Parlamento turco, Mehmet Ali Shahin, que está visitando Teerã.

Ainda nesta terça-feira, um porta-voz do Ministério do Exterior iraniano disse que o governo do país vai entrar com um protesto contra as sanções enviando cartas para cada um dos 15 membros do Conselho de Segurança da ONU, de acordo com a agência de notícias AFP.

Sanções

As sanções buscam pressionar o Irã a interromper seu programa de enriquecimento de urânio, já que parte da comunidade internacional suspeita que o governo iraniano planeje secretamente desenvolver armas atômicas.

O Irã nega essas alegações e afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos. Apesar das três rodadas anteriores de sanções, o governo iraniano tem até agora se negado a interromper o enriquecimento de urânio.

As novas sanções ampliam medidas já em vigor, ao proibir a venda de várias categorias de armamento pesado ao Irã, incluindo helicópteros de ataque e mísseis.

Também fica estabelecido que todos os países inspecionem em seus portos e aeroportos cargas suspeitas de conter itens proibidos com destino ou origem no Irã.

As sanções incluem ainda 40 empresas e um alto funcionário ligado ao programa nuclear à lista de pessoas e companhias iranianas sujeitas a restrições de viagens e congelamento de ativos.

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