Utah executa prisioneiro com pelotão de fuzilamento

Ronnie Lee Gardner (arquivo)
Image caption Ronnie Lee Gardner está no corredor da morte desde 1985

Ronnie Lee Gardner, condenado por assassinato no Estado americano de Utah, será executado nesta sexta-feira por um pelotão de fuzilamento.

A execução foi escolhida pelo próprio Gardner. Dos 35 Estados americanos que possuem a pena de morte, Utah é o único que oferece o fuzilamento como opção, para os que foram condenados antes de 2004.

Depois da rejeição de última hora de uma suspensão da execução da sentença, Gardner será executado por cinco atiradores anônimos em uma das salas da prisão onde ele cumpre pena.

Gardner não verá os atiradores, que ficarão no escuro enquanto ele estará debaixo das luzes a cerca de seis metros deles, com um capuz na cabeça e um alvo colocado sobre seu coração.

Gardner, de 49 anos de idade, foi condenado pela morte de um advogado em 1985 ocorrida dentro de um tribunal.

Desde que a Suprema Corte americana permitiu que Estados americanos voltassem a aplicar a pena de morte, em 1976, apenas dois condenados foram executados por fuzilamento.

Gary Gilmore, em 1977 e John Albert Taylor, em 1996, em um caso que atraiu grande atenção da imprensa.

Em 2004, legisladores do Estado acabaram com a possibilidade de escolha, ainda oferecida aos previamente sentenciados.

Treino

Os atiradores provavelmente estarão atrás de uma tela com fendas estreitas para suas armas. Eles também teriam treinado tiro juntos para que seja ouvido apenas um único barulho de disparo, em uníssono.

No entanto, nenhum dos cinco vai saber com certeza qual foi a arma que matou Gardner. Uma das armas será carregada com uma bala sem carga, provavelmente uma bala de cera, que daria o mesmo coice que uma bala verdadeira.

As identidades dos atiradores - policiais locais que se ofereceram voluntariamente para o serviço - será protegida para sempre.

Os atiradores e funcionários que ajudaram no planejamento da execução receberão uma moeda comemorativa com o nome de Gardner.

Gary DeLand, diretor-executivo da agência penitenciária de Utah entre 1985 e 1992, conheceu Gardner durante seus anos de prisão e afirma que não está surpreso pelo seu pedido.

"Ele era um homem particularmente violento. Ele era mantido separado dos outros prisioneiros. Ele era o tipo de pessoa que poderia machucar outros apenas por diversão e gostava de causar problemas", disse.

"Não sabemos a razão de Gardner ter escolhido este método, mas um prisioneiro que escolheu o pelotão de fuzilamento disse, basicamente, que, se ele fosse morrer, ele queria que alguém limpasse a bagunça."

DeLand, que supervisionou execuções com injeção letal e planejou uma execução por pelotão de fuzilamento (que foi abandonada no último minuto) escreveu um manual interno em 1986, com um plano para este tipo de execução e também os procedimentos com os atiradores e funcionários, incluindo a entrega de distintivos comemorativos a eles, "por serviços prestados além de seus deveres comuns".

"Me falaram que o manual ainda está na prisão de Utah e tiraram a poeira dele", disse.

Segundo o plano de DeLand, Gardner será levado para uma cela diferente entre 24 e 48 horas antes da execução. Ali o prisioneiro será monitorado constantemente por equipes de carcereiros, que se revezam, para garantir que ele não tente o suicídio.

Image caption Família de Michael Burdell, vítima de Gardner, afirma que ele seria contra a pena de morte

Apenas poucas pessoas de fora terão permissão de entrar nesta cela, advogados, por exemplo, trabalhando até o último minuto para conseguir a suspensão da execução.

Velho Oeste

O caso da execução de Gardner tem atraído muita atenção nacional e internacional, pois o método tem sido criticado. Muitos alegam que o pelotão de fuzilamento é uma herança dos tempos do Velho Oeste e deveria ser abolido.

De acordo com o Centro de Informações sobre Pena de Morte, a Suprema Corte dos Estados Unidos deu a Utah a permissão para o uso do pelotão de fuzilamento como método de execução em 1879.

"Este é, claramente, um regresso a um tempo mais antigo e as pessoas perguntam como nós ainda fazemos isto?", disse recentemente Richard Dieter, diretor-executivo do centro, ao canal americano CBS.

Mas, Gary DeLand afirma que não sabe porquê a execução por pelotão de fuzilamento gera tanto interesse. "Uma execução é uma execução", disse. "Acho que é apenas curiosidade mórbida."

Familiares e amigos de Michael Burdell, o advogado morto por Gardner dentro de um tribunal, teriam dito que a execução simplesmente seria uma vitória da violência que o advogado tentava combater.

Historiadores, por outro lado, afirmam que o método de execução tem origem em uma doutrina do século 19, da religião mórmon, predominante no Estado americano de Utah. Atualmente a igreja não tem opinião sobre assunto.

Autoridades da prisão afirmaram que orientadores serão colocados à disposição dos funcionários que participarem da execução de Gardner, caso eles precisem.

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