Presidente sírio alerta para guerra no Oriente Médio

Bashar al-Assad
Image caption Assad classificou administração israelense como governo piromaníaco.

O presidente da Síria, Bashar al-Assad, disse que a operação de Israel contra a frota de ajuda humanitária para Gaza aumentou as chances de uma guerra no Oriente Médio.

Em uma entrevista ao editor de Oriente Médio da BBC, Jeremy Bowen, Assad disse que a Síria estava se esforçando para evitar uma guerra regional.

Ele acrescentou, no entanto, que não há chances de um acordo de paz com a atual administração de Israel, que ele classificou de "governo piromaníaco".

Nove ativistas turcos foram mortos por soldados israelenses durante o ataque a um barco do movimento Free Gaza, que tentava furar o bloqueio imposto por Israel para levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza.

Questionado se a operação israelense aumentou as chances de guerra no Oriente Médio, Assad disse: "Com certeza, com certeza."

"Se você não tem paz, você deve esperar uma guerra todo dia, e isto é muito perigoso", disse ele.

Israel abriu um inquérito para investigar a operação, após rejeitar uma proposta da Organização das Nações Unidas (ONU) de instalar uma investigação internacional, mas a Turquia disse que não confia na imparcialidade da investigação.

"A operação destruiu qualquer chance de paz em um futuro próximo", disse o presidente sírio.

"Principalmente porque provou que seu governo é um governo piromaníaco, e você não pode obter paz com um governo desses."

A atual administração israelense do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu é "diferente de qualquer governo israelense anterior", disse Assad.

Ele disse que não havia indícios antes do ataque à frota sobre "suas intenções em relação aos palestinos, suas intenções de matar palestinos".

Hezbollah

Na entrevista, Assad também negou que estivesse enviando armas ao movimento militante Hezbollah, no Líbano, que travou uma guerra de um mês contra Israel em 2006.

Ele disse estar feliz de fazer negócios com os Estados Unidos, mas insistiu que o Irã continuaria sendo um aliado.

Assad acrescentou que a Turquia, que estava servindo como mediadora entre a Síria e Israel, dificilmente continuaria assumindo este papel após o ataque à frota - a não ser que o governo israelense mude.

"Os turcos nunca atacaram Israel, nunca contrabandearam armas, nunca fizeram nada que prejudicasse Israel. Eles só trabalharam pela paz", disse.

A Síria vinha tendo conversas indiretas com antigo governo israelense até o ex-premiê Ehud Olmert renunciar ao cargo, em 2008, por acusações de corrupção.

Nos últimos meses, a política externa americana trabalhou com a suposição de que ter a Síria a seu lado seria uma forma de se aproximar um pouco do processo de paz no Oriente Médio, diz o correspondente da BBC.

Jeremy Bowen ressalta, no entanto, que ganhar o apoio da Síria não é tão fácil assim.

Os Estados Unidos ofereceram cancelar sanções impostas há cinco anos contra a Síria para que o país suspenda suas ligações com o aliado regional Irã.

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