Parlamento aprova reforma para conter desemprego na Espanha

O ministro do Trabalho espanhol, Celestino Corbacho, foi ao Parlamento
Image caption O governo defendeu as medidas para conter o desemprego

O Parlamento da Espanha aprovou nesta terça-feira uma reforma trabalhista com o objetivo de diminuir o desemprego no país, que chegou aos 20%.

Entre as medidas propostas pelo governo espanhol está a criação de oportunidades para jovens no mercado de trabalho, incentivos para que empresas contratem novos funcionários e mudanças para tornar mais fácil a demissão de empregados se for necessário.

A oposição ao governo socialista do primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero criticou o pacote, e muitos parlamentares se abstiveram da votação desta terça-feira, o que deu ao governo a vitória.

As mudanças nas leis trabalhistas espanholas foram aprovadas depois de um pacote do governo, aprovado há três semanas, que prevê uma economia de 15 bilhões de euros (cerca de R$ 34 bilhões) por ano para conter o déficit orçamentário do país.

Leia mais na BBC Brasil sobre o pacote de medidas econômicas do governo espanhol

Defesa

De acordo com o jornal espanhol El País, o governo diz que a reforma trabalhista irá criar empregos e que não tem como objetivo tornar as demissões mais baratas ou acabar com direitos dos trabalhadores.

A correspondente da BBC em Madri Sarah Rainsford lembra que, quando a crise econômica atingiu a Espanha, um em cada três trabalhadores tinha contrato temporário, o que os tornava mais baratos e facilitava suas demissões.

Agora, de acordo com a correspondente, o governo vai pagar um bônus para companhias que contratem os desempregados, se estas empresas colocarem estes funcionários em um contrato mais seguro, de longo prazo.

A reforma trabalhista também dá às companhias mais flexibilidade para cortar horas de trabalho em vez de simplesmente demitir funcionários.

O objetivo, segundo Rainsford, é criar um mercado de trabalho mais estável e mais produtivo, algo importante em um país que luta para sair da crise.

Mas os críticos da reforma temem que o pacote de medidas represente vantagens por um lado, mas tire vantagens por outro, por facilitar demissões. A correspondente da BBC informou que, no Parlamento espanhol, políticos de todos os lados acusaram o governo de criar uma reforma confusa e ineficaz.

Rainsford destaca que, em vez de rejeitar a proposta de reforma, os parlamentares votaram de forma unânime para transformar o decreto em um projeto de lei, o que dá ao Parlamento o direito de discutir nos próximos meses todos os detalhes e apresentar propostas de emendas.

Este processo, de acordo com a correspondente, vai dar às medidas finais maior legitimidade e poderá até evitar uma greve geral, que já foi convocada para setembro.

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