'A culpa é de todos nós, mas eu levo a maior parte', diz Dunga

Dunga durante jogo da Holanda nesta sexta-feira (AFP)
Image caption Técnico disse que não tem planos de continuar à frente da seleção

Após a eliminação do Brasil da Copa do Mundo da África do Sul, nesta sexta-feira, o técnico Dunga disse que a responsabilidade pela derrota brasileira não é só de Felipe Melo - que marcou um gol contra e foi expulso na derrota para a Holanda.

O técnico dividiu a culpa entre todos os jogadores e a comissão técnica, mas disse que ele próprio tem uma parcela maior do que os demais.

"Acho que a culpa é de todos nós. É lógico que eu levo a maior parte. Seria injusto eu falar alguma coisa do Felipe. Não é a primeira vez que um jogador é expulso em uma Copa do Mundo."

Perguntado se pode ser considerado o maior culpado, Dunga respondeu: "Sem dúvida. Eu sou o comandante da seleção brasileira."

Mas em seguida, se defendeu: "Todas as decisões que eu tomei foram em prol da seleção brasileira."

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Arbitragem

O técnico chegou cabisbaixo para a entrevista coletiva da Fifa dada após a derrota do Brasil, mas em nenhum momento mostrou irritação com as perguntas ou com a derrota.

Dunga atribuiu a derrota brasileira à queda de produção do time no segundo tempo.

"Sabíamos que seria um jogo delicado e difícil. No primeiro tempo, tivemos mais êxito, mas no segundo não conseguimos manter a mesma forma de jogar do primeiro", disse.

Ao ser perguntado sobre a substituição de Michel Bastos, Dunga esboçou uma crítica à arbitragem, mas logo em seguida tratou de mudar seu raciocínio.

"Nós comentamos no vestiário que, desde o início do jogo, o juiz estava sendo bastante pressionado, marcando faltas que não existiram. Eu tive inclusive que trocar o Michel, porque ele tinha levado um cartão amarelo em um lance que sequer foi falta", disse Dunga.

"Não é desculpa. Mas acontece. Nós gostaríamos que isso não acontecesse e fosse diferente, mas só quem está lá dentro de campo pode ter uma noção melhor."

Tristeza

Dunga disse que ficou muito triste com a derrota e falou que não tem planos de continuar à frente da seleção brasileira, o que já estava decidido antes da partida, segundo ele.

O treinador fez ainda um balanço sobre o trabalho da seleção nos últimos quatro anos. Ele disse que, durante o período em que foi treinador, sua principal vitória foi "o resgate da vontade de se jogar na seleção brasileira".

"Se você entrar no vestiário agora e olhar a fisionomia dos jogadores, você vai entender melhor", disse o treinador.

A seleção volta no sábado à tarde para Johanesburgo e à noite segue para o Brasil, onde chega na madrugada de domingo.

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