Hillary busca melhorar relação com Moscou após prisão de espiões

Hillary Clinton
Image caption Hillary fez as declarações durante visita á Ucrânia

A secretária de estado americano, Hillary Clinton, disse nesta sexta-feira que deseja prosseguir nos esforços para melhorar o relacionamento com a Rússia, quatro dias depois de os Estados Unidos anunciarem a prisão de 10 suspeitos de espionagem russos.

"Nós estamos comprometidos com a construção de uma relação nova e positiva com a Rússia", afirmou ela, durante visita à Ucrânia.

Os supostos espiões são acusados de conspiração na condição de agentes de um governo estrangeiro – crime menos grave que espionagem, mas, ainda assim, com pena de até cinco anos de prisão.

O 11º suspeito, Christopher Metsos, preso nesta terça-feira no Chipre, está agora desaparecido. Metsos, suposto responsável pelas transações financeiras do grupo, provavelmente fugiu do país depois de deixar a prisão sob fiança.

Três dos outros suspeitos devem pedir fiança ainda nesta sexta-feira à Justiça do Estado americano da Virgínia.

Fiança

Image caption Chapman foi descrita como uma 'mulher fatal'

Na quinta-feira, uma das acusadas, a jornalista Vicky Pelaez, conseguiu na Justiça o direito à liberdade sob fiança estipulada em US$ 250 mil. Para a decisão, o juiz encarregado do caso argumentou que ela é cidadã americana e não existem evidências de que tenha recebido treinamento para espionagem.

Ainda assim, Vicky continua em prisão domiciliar até terça-feira – procedimento que dá tempo à promotoria recorrer da decisão.

O marido da jornalista, que usa o nome de Juan Lazaro, teria admito à promotoria que trabalha ao serviço de inteligência russa. Cinco outros suspeitos continuam detidos nos Estados Unidos.

Mulher fatal

O jornal britânico Daily Telegraph traz nesta sexta-feira uma entrevista com Alex Chapman, marido de uma das suspeitas, Anna Chapman.

Ele afirma não ter se surpreendido com a prisão da esposa, que já lhe havia dito ser filha de um importante integrante da KGB.

Segundo Chapman, o casal se conheceu numa festa em Londres em 2002 e casou-se cinco meses depois.

Apelidada de "Mulher fatal" da rede, Anna aparecia em várias fotos glamurosas na sua página no site de relacionamentos sociais Facebook.

Supostas mensagens interceptadas descritas em documentos da Promotoria sugerem que os 10 suspeitos presos nos EUA tinham como missão descobrir informações sobre assuntos como armas nucleares, posição de controle de armas americanas, Irã, rumores na Casa Branca, mudanças na liderança da CIA e partidos políticos.

Elas foram supostamente treinadas pelo Serviço de Inteligência Estrangeiro Russo (SVR), para se infiltrar em círculos de pessoas influentes politicamente e recolher informações, segundo os documentos apresentados à Justiça americana.

Notícias relacionadas