Lula inicia visita à África sem chance de ‘levar Copa para casa’

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista à TV Brasil Internacional (Roosewelt Pinheiro/ABr)
Image caption Lula é o presidente brasileiro que mais fez visitas a países da África

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega na noite desta sexta-feira na Ilha do Sal, em Cabo Verde, para iniciar uma viagem de dez dias pelo continente africano que, de saída, ficará sem um de seus pontos brilhantes: a participação na final da Copa do Mundo da África do Sul com o Brasil em campo buscando o hexacampeonato.

Na viagem, que inclui seis países, Lula marcará presença em zonas de livre comércio importantes no continente: a Comunidade Econômica dos Estados da África do Oeste (CEDEAO), formada por 15 países, entre os quais Cabo Verde, e a Comunidade do Leste da África, da qual fazem parte Quênia e Tanzânia, também incluídos no giro de Lula.

O presidente também visitará Guiné Equatorial e Zâmbia e, no final, estará em Johanesburgo, na África do Sul, para participar dos eventos da Fifa relativos ao lançamento da Copa do Mundo no Brasil em 2014.

A possibilidade de assistir ao Brasil no jogo da final da Copa, no dia 11 – algo que pela própria natureza imprevisível do futebol sempre permaneceu uma possibilidade –, foi riscada nesta sexta-feira com a eliminação da equipe por 2 a 1 pela Holanda.

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Lula, um assumido fã de futebol, assistiu à partida em Brasília ao lado da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, entre outras autoridades.

Segundo a Agência Brasil, após o apito final, Lula ficou parado na frente da TV sem acreditar que o Brasil havia sido eliminado. O seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, afirmou que o presidente embarcou “triste” para a África.

“Estamos muito tristes, como todos os brasileiros. O futebol é algo muito importante, mas o mundo não vai acabar, vamos ganhar a próxima”, disse o chanceler Amorim, ao deixar o Palácio da Alvorada após a derrota brasileira.

Simbolismo

Mesmo sem o mesmo brilho, a visita de Lula manterá o seu forte caráter simbólico de “despedida” do presidente do continente africano, um dos principais alvos da política externa brasileiro durante os seus anos no Planalto.

Ao fim deste périplo, Lula terá visitado 24 países africanos, mais do que todos os seus antecessores juntos. Os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Fernando Collor, por exemplo, estiveram em três e quatro países africanos, respectivamente.

Nesta viagem, Lula procurará uma maior aproximação com o bloco econômico do oeste africano, do qual o Brasil se tornou observador em 2004. O presidente falará no sábado na primeira reunião dedicada às relações entre o Brasil e os países da CEDEAO.

O bloco é formado por quinze Estados: Benin, Burkina Faso, Cabo Verde, Costa do Marfim, Gâmbia, Gana, Guiné-Bissau, Guiné, Libéria, Mali, Níger, Nigéria (que representa 65% do PIB da organização), Senegal, Serra Leoa e Togo. Atualmente, Guiné e Níger estão suspensos por desrespeitar os princípios democráticos.

Ainda em Cabo Verde, o presidente deve ter um encontro com o seu colega de Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanha, que participará do encontro da CEDEAO.

A agenda da semana que vem ainda não foi detalhada. Lula visitará a Guiné Equatorial, o terceiro maior produtor de petróleo da África, com reservas descobertas relativamente há pouco tempo (meados dos anos 1990).

Acompanham o presidente uma delegação de representantes empresariais de entidades setoriais e de companhias como Vale, Embraer e Camargo Corrêa.

Apesar de as exportações do Brasil para a África terem crescido 267% nos últimos sete anos, o comércio com os parceiros africanos ainda engatinha em termos absolutos. Em 2009, o grupo dos países africanos comprou US$ 8,9 bilhões do Brasil.

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