Irã acusa três países de recusar abastecimento a aviões comerciais

Avião da Iran Air em aeroporto de Paris (AFP, 18 de maio de 2010)
Image caption Iran Air seria uma das empresas afetadas por medidas

O governo do Irã acusou nesta segunda-feira a Grã-Bretanha, a Alemanha e os Emirados Árabes Unidos de impedir o fornecimento de combustível para aviões de passageiros do país.

As acusações, não confirmadas oficialmente pelos governos dos países citados, vêm na esteira das sanções unilaterais impostas pelos Estados Unidos ao Irã em meados de junho com objetivo de impedir o desenvolvimento de seu programa nuclear.

A medida americana foi tomada após o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovar uma nova rodada de sanções contra o Irã.

“Desde a semana passada, nossos aviões tiveram o acesso a combustíveis barrado nos aeroportos da Grã-Bretanha, Alemanha e Emirados Árabes Unidos por causa das sanções adotadas pelos Estados Unidos”, afirmou o secretário do Sindicato das Companhias Aéreas Iranianas, Mehdi Aliyari, em entrevista à agência de notícias iraniana Isna.

Segundo ele, duas companhias aéreas – a Iran Air e Mahan Airlines – vem enfrentando problemas com abastecimento, o que, para Aliyari, “viola convenções internacionais”.

Outro lado

Um porta-voz da Abu Dhabi Airports Company, administradora dos aeroportos dos Emirados Árabes Unidos – entre eles, o da capital Abu Dhabi – nega a adoção de sanções.

“Temos contratos com voos de passageiros iranianos e continuamos a permitir o abastecimento”, afirmou à agência Reuters um porta-voz da empresa.

Na Grã-Bretanha, a Agência de Aviação Civil afirma que as decisões referentes ao abastecimento ficam a cargo das distribuidoras de combustível.

Na Alemanha, o discurso é parecido. O Ministério dos Transportes do país diz que medida não integra as sanções impostas ao Irã pela União Europeia ou ONU, mas não comentou se empresas tomaram individualmente a iniciativa de recusar o abastecimento.

Sanções

As sanções impostas pelos Estados Unidos vetam a venda ao Irã de combustíveis e outros produtos resultantes do refino do petróleo com valor anual superior a US$ 8,6 milhões.

Na avaliação do analista para assuntos internacionais da BBC News, Paul Reynolds, distribuidoras de combustíveis temem vender ao Irã mais que o permitido e, em represália, serem proibidas de atuar nos Estados Unidos.

Para evitar falta de combustível, as empresas iranianas vêm buscando se abastecer ao máximo no Irã, segundo um funcionário da aviação iraniana.

Ainda assim, muitas vezes as companhias aéreas são obrigadas a alterar rotas para realizar paradas em países sem restrição à venda de combustível – medida que, segundo o funcionário, dobrou os custos do abastecimento.

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