Espanha envia ministro a Cuba para apoiar libertação de presos políticos

O ministro do Exterior espanhol, Miguel Angel Moratinos, e o chanceler cubano, Bruno Rodriguez, em encontro em Paris
Image caption Moratinos vai tentar dar apoio à Igreja Católica na mediação pelos dissidentes em Cuba (Foto: arquivo)

O ministro do Exterior da Espanha, Miguel Angel Moratinos, chegou a Cuba para apoiar os esforços da Igreja Católica do país em mediar a libertação de prisioneiros políticos.

Segundo informações de Madri, o governo espanhol acredita que as autoridades cubanas estejam planejando a libertação gradual de prisioneiros políticos, a começar pelos 26 que estão mais gravemente doentes.

A visita, a primeira de Moratinos voltada para a questão de direitos humanos, vem em um momento de grande interesse na mídia internacional pelo destino do preso político Guillermo Fariñas, psicólogo e jornalista que está em greve de fome desde fevereiro e, segundo os médicos, corre risco de morte.

Ao desembarcar em Havana na segunda-feira, Moratinos negou que se encontraria com Fariñas ou outros dissidentes cubanos.

Igreja

Nesta terça-feira de manhã, Moratinos se reúne com o chanceler cubano Bruno Rodríguez e à tarde, se encontra com o líder da Igreja Católica em Cuba, o cardeal Jaime Ortega.

Em maio passado, a Igreja Católica de Cuba deu início a um processo de diálogo com o governo sem precedentes, que resultou na libertação de um prisioneiro gravemente doente e da transferência de outros 12 detentos para prisões mais próximas de suas famílias.

No mês passado, chegou a especular-se que vários prisioneiros doentes seriam libertados para marcar a visita do ministro do Exterior do Vaticano, mas apenas um dissidente paraplégico foi solto na ocasião.

O governo de Cuba nega que haja prisioneiros políticos na ilha, chamando-os de mercenários financiados pelos Estados Unidos.

A questão dos dissidentes presos em Cuba ganhou maior notoriedade depois da morte do dissidente Orlando Zapata na prisão, em fevereiro passado, depois de 85 dias em greve de fome.

Sua morte atraiu a condenação internacional.

No sábado passado, em um raro comentário sobre o caso, a imprensa cubana anunciou que Guillermo Fariñas, também em greve de fome, corre o risco de morrer.

Leia mais: Dissidente cubano em greve de fome corre risco de morte, dizem médicos

Fariñas, que pede a libertação dos prisioneiros em estado grave de saúde, foi transferido para um hospital e, segundo os médicos, está recebendo alimentação intravenosa e tratamento para um coágulo que desenvolveu no pescoço.

Uma mensagem atribuída ao prisioneiro divulgada na internet na segunda-feira afirma que ele está “consciente” da possibilidade de morte próxima, pela qual responsabilizou “os irmãos Raul e Fidel Castro”.

Na segunda-feira, um informe da Comissão Cubana de Direitos Humanos (CCDDHH), ilegal, mas tolerada pelo governo, afirma que o número de dissidentes presos em Cuba caiu de 201 para 167 nos primeiros seis meses de 2010.

Leia mais: Número de detidos políticos em Cuba diminuiu 20%, diz relatório

De acordo com o documento, desde que Raúl Castro assumiu o poder, em 2006, o número de dissidentes presos caiu pela metade.

Mas o presidente da CCDDHH, Elizardo Sánchez, afirmou que a queda, na verdade, reflete uma “certa mudança nas formas de repressão política” do regime, que optaria agora por “detenções arbitrárias de curta duração”.

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