TV pública do Japão suspende transmissão de sumô devido a escândalo

O lutador Kotomitsuki (arquivo)
Image caption Kotomitsuki e seu treinador se envolveram no escândalo

A rede de televisão pública do Japão, a NHK, suspendeu pela primeira vez em mais de 50 anos a transmissão ao vivo do próximo campeonato de sumô, devido a um escândalo envolvendo o esporte.

A decisão foi tomada dois dias depois de as autoridades do esporte no país banirem um lutador famoso, Kotomitsuki, e seu técnico, Otake, por envolvimento no escândalo de apostas ilegais. Lutadores de sumô e seus treinadores tradicionalmente usam apenas um nome.

Os dois admitiram envolvimento em apostas ilegais em outro esporte, beisebol, que seria uma suposta fonte de renda para a máfia japonesa, a Yakuza.

Dezenas de outros integrantes da indústria do sumô no Japão também já foram envolvidos no escândalo.

Uma pesquisa realizada em junho pela Associação de Sumô do Japão mostrou que 65 de seus 700 membros admitiram apostas ilegais em beisebol, cartas e outros jogos.

O escândalo que foi divulgado domingo envolvendo Kotomitsuki e Otake foi o último de uma série envolvendo o esporte, que tradicionalmente exige altos padrões de comportamento e ética de seus lutadores.

Reclamações

Desde 1953 a NHK transmite ao vivo cada um dos seis torneios anuais de sumô.

Mas, depois de uma grande quantidade de reclamações dos espectadores, a rede comunicou que não vai mais transmitir o torneio de Nagoya, que ocorre entre 11 e 25 de julho.

Em vez das lutas ao vivo, a NHK vai transmitir diariamente apenas um programa gravado com os destaques do dia.

"Esta é uma questão muito importante e lamentável", afirmou o presidente da NHK, Shigeo Fukuchi. "Recebemos opiniões muito duras de nossos espectadores todos os dias."

Vários patrocinadores do esporte também já cancelaram seus contratos com o campeonato devido ao escândalo.

Renúncia

Mais de uma dezena de outros lutadores que também foram envolvidos no escândalo foram suspensos do campeonato de Nagoya.

Além de banir Kotomitsuki e Otake, a Associação de Sumô do Japão também está sem seu presidente, Musashigawa, que decidiu deixar o cargo temporariamente. A presidência da associação foi assumida por um promotor famoso, Hiroyoshi Murayama, que não tem nada a ver com o sumô.

O correspondente da BBC em Tóquio Roland Buerk afirma que o sumô já tinha sido prejudicado por outras revelações do envolvimento do esporte com o mundo do crime.

Foi revelado que os ingressos da primeira fila para o campeonato de Nagoya em 2009, que são prêmios, foram parar nas mãos de membros da Yamaguchi-gumi, a maior família da Yakuza.

Os mafiosos queriam ficar visíveis em transmissões de televisão para acenar para seus colegas presos, de acordo com Buerk.

Ainda em 2009, um importante treinador de sumô foi preso devido ao seu envolvimento no espancamento e morte de um jovem lutador, em um ataque que expôs a questão do bullying no esporte.

No início de 2010 um outro lutador famoso, Asashoryu, anunciou sua aposentadoria depois de acusações de que ele tinha atacado um homem em frente a uma casa noturna de Tóquio.

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