Alemanha e Espanha lutam por vaga na 'final europeia' da Copa

Image caption O técnico da Espanha, Vicente del Bosque. (Foto: Reuters)

A Alemanha e a Espanha reprisarão a final da Eurocopa de 2008 nesta quarta-feira, quando se encontram em Durban para a última das semifinais da Copa do Mundo. O vencedor enfrentará a Holanda em Johanesburgo, no domingo, na final da competição.

O confronto entre as duas equipes confirma a superioridade europeia dos últimos anos em Copas do Mundo. Em 2006, na Alemanha, todas as quatro seleções da fase final eram europeias – Portugal, Alemanha, França e Itália.

Na África do Sul, com a eliminação do Uruguai, na terça-feira, a Copa continuará na mão dos europeus, que superarão os sul-americanos em número de torneios vencidos: dez títulos para a Europa contra nove para a América do Sul.

Na rodada passada, os europeus eram minoria, com apenas três das oito seleções que chegaram às quartas de final, no entanto, estas são justamente as três seleções que ainda continuam na competição. Alemanha, Holanda e Espanha tiveram – junto com Itália e Inglaterra - as melhores campanhas nas Eliminatórias europeias para a Copa do Mundo.

“Se você me perguntar, a Alemanha, nós e a Holanda sintetizam perfeitamente o que é o futebol europeu hoje”, disse o técnico da Espanha, Vicente del Bosque.

Igualdade

Em 2008, quando fizeram a final da Eurocopa, a Espanha era vista como uma das melhores seleções do planeta, enquanto os alemães foram considerados azarões. A Espanha acabou vencendo por 1 a 0, com gol de Torres, conquistando o título pela primeira vez.

Na África do Sul, a situação mudou, a Alemanha leva uma pequena vantagem nos números da competição, prometendo um confronto mais parelho na semifinal.

As duas seleções têm o mesmo número de vitórias e ambas já perderam uma vez nesta Copa, no entanto a Alemanha possui o melhor ataque da competição (13 gols) e superou com goleadas dois ex-campeões mundiais no caminho. Já a Espanha passou por Portugal e Paraguai com vitórias apertadas por 1 a 0.

Para o técnico alemão Joachim Loew, que está há quatro anos à frente da equipe, a seleção alemã melhorou muito desde a final da Eurocopa, e terá condições de jogar de igual para igual contra os espanhóis.

“Dois anos depois, nós mudamos muito, enquanto os espanhóis continuam iguais. Nós tivemos progressos no estilo de futebol que jogamos e nos resultados que conseguimos”, disse.

“Não éramos tão consistentes e não tínhamos tanta qualidade. Agora nossa combinação é bem melhor, assim como nosso jogo, que é fluente.”

Conflito de gerações

O técnico espanhol Vicente del Bosque acredita que o time alemão de hoje lembra muito pouco o de dois anos.

“Metade daqueles jogadores da Eurocopa já foram embora. Esta é uma seleção que combina os valores tradicionais da Alemanha com bom futebol, qualidade e jovens talentos”, afirma, em relação a atletas como Ozil, Mueller e Neuer, que hoje assumiram a posição de jogadores como Ballack, Frings e Lehmann.

A mudança de gerações na equipe gerou uma polêmica esta semana. O lateral direito Philip Lahm declarou que gostaria de continuar como capitão da seleção mesmo depois da Copa, quando o astro Michael Ballack, cortado da seleção por contusão, deve ser reintegrado ao time.

No dia seguinte à declaração, Ballack, que estava na África do Sul acompanhando a seleção como torcedor, voltou para a Alemanha. O supervisor da Alemanha, Oliver Bierhoff, precisou esclarecer que “tudo não passou de uma coincidência” e que Ballack não ficou ofendido.

Espanha

Na Espanha, a base da equipe ainda é a mesma que foi campeã na Eurocopa, com algumas mudanças. Na zaga, Piqué substitui Marchena, o volante brasileiro Marcos Senna sequer foi convocado para o Mundial e Silva hoje fica no banco de reservas. Os novos titulares, Xabi Alonso e Sergio Busquets completam o meio de campo.

Mas a principal mudança está no comando da equipe, com Vicente del Bosque substituindo o vitorioso Luis Aragones.

O principal atacante é David Villa, recentemente comprado pelo Barcelona. Ele marcou cinco dos seis gols espanhóis nesta Copa e é artilheiro da competição ao lado do holandês Wesley Sneijder.

O astro Fernando Torres, considerado antes da Copa a principal esperança de gols da Espanha, ainda não marcou gols na competição e já sinalizou que até admitiria ficar no banco de reservas, dando lugar a outro atacante.

“Aqui ninguém tem posto garantido. Pouco a pouco, acho a melhor forma para estar no time. Se não for assim, apoiarei de fora”, disse.

Entre os espanhóis, o clima é de confiança. O meia Iniesta diz que gosta de assistir aos jogos da Alemanha, mas prevê uma reprise da final da Eurocopa, com vitória espanhola.

“Eu estou convencido de que chegaremos à Final. Estou completamente confiante”, disse o meia.

Para o técnico alemão, mesmo com a melhora da sua equipe nos últimos anos, a Espanha ainda leva vantagem devido à qualidade técnica dos seus jogadores.

“Eles não têm um Messi, eles têm vários, e eles não cometem erros, ao contrário da Inglaterra e da Argentina”, disse Loew. “Nós precisaremos forçá-los a cometerem erros”.

A Espanha deve entrar em campo às 20h30 (15h30 no horário de Brasília) de quarta-feira em Durban com a mesma equipe que derrotou o Paraguai. A equipe ainda não teve nenhum jogador expulso ou suspenso por cartões amarelos e lidera o ranking de fair play da Fifa.

A seleção espanhola deve jogar com: Casillas, Sergio Ramos, Piqué, Puyol, Capdevila, Xabi Alonso, Iniesta, Xavi, Busquets, Villa e Torres.

A Alemanha jogará sem Thomas Mueller, que está suspenso pelo segundo cartão amarelo. Loew sinalizou que escolherá entre Trochowski, Kroos ou Cacau. Mas o meia Schweinsteiger que tem comandado as ações ofensivas do time alemão tem escalação garantida.

A provável escalação da Alemanha é: Neuer, Lahm, Friedrich, Mertesacker, Boateng, Schweinsteiger, Khedira, Ozil, Podolski, Trochowski (ou Kroos ou Cacau) e Klose.

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