Investimentos diretos no Brasil caíram mais que a média mundial, diz ONU

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Image caption Brasil é 14º no ranking dos que mais receberam IDE em 2009

Um relatório divulgado pela Unctad (Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento) nesta quinta-feira indica que o volume de investimentos diretos estrangeiros (destinados às atividades produtivas) no Brasil caiu 42% em 2009, mais que a média mundial.

Segundo o Relatório sobre Investimentos no Mundo, em 2009, a recessão econômica reduziu em 37% o volume mundial de investimentos diretos estrangeiros, ou IDE, que inclui valores usados para aquisições de empresas, bens e equipamentos, bem como para modernização e desenvolvimento de empresas e também empréstimos entre matrizes e suas filiais.

Os investimentos caíram, em nível mundial, cerca de US$ 600 bilhões na comparação com o ano anterior, totalizando US$ 1,1 trilhão.

O Brasil, com US$ 26 bilhões, ocupa a 14ª posição no ranking de países que mais receberam IDE em 2009.

A redução no fluxo de IDE registrada pelo país também é superior à queda de 36% verificada na América Latina como um todo, que recebeu US$ 117 bilhões em investimentos diretos externos.

“Apesar de o Brasil ter sofrido uma contração de 42% e ter sido mais afetado pela redução do IDE do que o resto da região, ele permanece o país mais importante em relação à entrada de investimentos diretos estrangeiros na América Latina”, diz o relatório.

Outros países

Os Estados Unidos, que sofreram uma redução de 59% no fluxo de IDE no ano passado, ocupam a primeira posição, com US$ 316 bilhões recebidos.

Entre os 20 países que mais registraram entrada de investimentos diretos estrangeiros em 2009, a Espanha sofreu a redução mais drástica no volume de IDE. A queda foi de 79,4%.

O fluxo passou de US$ 73 bilhões em 2008 para apenas US$ 15 bilhões no ano passado, o que levou o país ao último lugar do ranking.

A China, segunda na lista dos que mais receberam IDE em 2009, sofreu uma retração de 12% no fluxo de recursos, semelhante à da Índia. A Rússia, no entanto, registrou uma queda de 48% no volume de IDE, superior a do Brasil.

Fusões

Segundo a Unctad, a diminuição no fluxo de IDE em 2009 se deve principalmente à desaceleração das operações de fusões e aquisições internacionais de empresas, que registraram uma queda de 65% em termos de valores.

De acordo com a organização, a importância das economias em desenvolvimento em relação ao fluxo de IDE deve aumentar, não só como países receptores de investimentos diretos estrangeiros, mas também como investidores em mercados externos.

“Apesar da diminuição de 27% no fluxo de entrada de investimentos diretos nos países em desenvolvimento, eles representam quase a metade do volume de entradas de IDE em 2009 e um quarto das saídas mundiais de (investimentos que as multinacionais desses países realizaram no exterior)”, diz o relatório.

A Unctad afirma que após a queda global nos fluxos de IDE em 2008 e 2009, há sinais de uma recuperação “modesta” no primeiro semestre deste ano, “fazendo nascer um sentimento de otimismo prudente”.

A organização, com sede em Genebra, afirma que a retomada dos volumes de investimento deverá se acelerar em 2010, com fluxos que deverão chegar a US$ 1,2 trilhão neste ano e atingir entre US$ 1,3 trilhão e US$ 1,5 trilhão em 2011.

“Mas riscos e incertezas pesam sobre essas previsões em relação ao IDE, ligados principalmente à fragilidade da retomada do crescimento econômico mundial.”

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