Colômbia confirma presença em reunião da Unasul sobre crise com Venezuela

Foto de arquivo mostra guerrilheiros das Farc em treinamento (AP)
Image caption Colômbia acusa Venezuela de abrigar guerrilheiros em seu território

O governo da Colômbia disse nesta terça-feira estar disposto a debater as acusações sobre a suposta presença de guerrilheiros colombianos na Venezuela durante a reunião extraordinária de chanceleres da Unasul (União das Nações Sul-Americanas), marcada para esta quinta-feira, em Quito, Equador.

Por meio de um comunicado, no entanto, a Colômbia pediu que o bloco sul-americano encontre "soluções" para a questão, que levou a um rompimento das relações diplomáticas entre o país a Venezuela na semana passada, após as acusações terem sido feitas por Bogotá em uma reunião da OEA (Organização dos Estados Americanos).

"Mais do que continuar com discussões, é preciso passar às soluções", diz o comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores da Colômbia.

No documento, a Colômbia afirma que a solução da atual crise com o país vizinho passa pela criação de um “mecanismo concreto” para solucionar “os temas de fundo”, sem especificar, no entanto, no que ele poderia consistir.

O governo colombiano afirma ainda que sua presença na reunião dos chanceleres parte do princípio de que, durante o encontro, se discuta “de maneira pontual” este mecanismo.

'Proposta de paz'

A nova crise entre Colômbia e Venezuela atingiu seu ápice na última quinta-feira, quando o governo colombiano apresentou durante uma reunião da OEA supostas provas sobre a presença de rebeldes das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e do ELN (Exército de Libertação Nacional) em território venezuelano.

Como resposta, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou o rompimento das relações diplomáticas entre os dois países e ordenou o fechamento da embaixada da Colômbia em Caracas.

Também nesta terça-feira, o ministro das Relações Exteriores venezuelano, Nicolás Maduro, afirmou esperar que o novo presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, que toma posse no próximo dia 7 de agosto, possa “retificar” as relações de seu país com a Venezuela.

“É necessária uma retificação a fundo por parte do novo governo da Colômbia para com a Venezuela. Como vocês sabem, existe vontade política para esta nova relação e que será com base no respeito absoluto às instituições venezuelanas”, disse Maduro durante visita a Buenos Aires, onde se reuniu com secretário-geral da Unasul, o ex-presidente argentino Néstor Kirchner, e com a presidente do país, Cristina Kirchner.

“Se o próximo governo (colombiano) iniciar uma onda de respeito absoluto ao governo venezuelano, estamos seguros de que poderemos construir um novo caminho”, disse o chanceler.

Maduro – que se reuniu ontem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Brasília – ainda afirmou que irá levar uma “proposta concreta para canalizar a paz” com a Colômbia à reunião de chanceleres da Unasul, marcada para a próxima quinta-feira no Equador.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Equador – que ocupa atualmente a Presidência rotativa da Unasul-, Venezuela, Colômbia, Paraguai, Uruguai, além do próprio Equador, já confirmaram a presença na reunião de quinta-feira.

O Brasil deve ser representado na cúpula pelo assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, e pelo o secretário-geral do Itamaraty, Antônio Patriota.

Leia também na BBC Brasil: Em conversa com Lula, chanceler da Venezuela diz ter ‘proposta de paz’ com Colômbia

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