A violência na fronteira de EUA e México é mito ou realidade?

Explosão de carro-bomba na cidade mexicana de Juarez
Image caption A cidade de Juarez é uma das mais violentas do México

Nos Estados Unidos, os temores de que a violência dos cartéis de drogas mexicanos possa cruzar a fronteira americana reaqueceu o debate a respeito de controle sobre imigração. Mas será mesmo verdade que os assassinatos estariam espalhando-se pelo país ou o aumento da violência não passa de um mito?

A cidade texana de El Paso é ligada por uma ponte que cruza o Rio Grande a sua vizinha mexicana Juarez, considerada um dos lugares mais perigosos do mundo.

Nos últimos dois anos, mais de 5 mil pessoas foram mortas em Juarez, ao mesmo tempo em que crimes relacionados com o tráfico de drogas aumentou.

Políticos, como o procurador-geral do Texas, Greg Abbott, costumam descrever a situação de cidades fronteiriças como se estivessem à beira de uma crise.

"Esse tipo de crime ocorre diariamente. O governo federal tem que responder de modo mais efetivo, reforçando a segurança na fronteira para evitar o derramamento de mais sangue americano."

“É mais perigoso andar nas ruas de Juarez, a poucas quadras de El Paso, do que nas de Bagdá. Há um problema muito sério que começa a se avolumar em nossas fronteiras e coloca em risco vidas americanas”, disse Abbot à rede de TV dos EUA Fox News.

O governador do Texas, Rick Parry, disse que o envio de 1,2 mil policiais federais para a cidade, ordenado em julho pelo presidente Barack Obama, seria “totalmente insuficiente”.

Segurança

Mas o prefeito de El Paso, John Cook, não concorda.

“A realidade é que não precisamos de ajuda deste lado da fronteira. Temos provavelmente todo tipo de polícia federal que você possa pensar. Somos uma comunidade extremamente segura”, disse Cook.

Segundo o FBI, El Paso é a segunda cidade americana mais segura. Os índices de criminalidade caíram 36% nos últimos 10 anos.

Outras cidades próximas à fronteira, como San Diego, na Califórnia, e Phoenix, no Arizona, também registraram declínio nos índices de violência.

Além do aumento do número de policiais na cidade, uma extensa barreira de mais de 3 mil km e de até 5,5 metros de altura em vários pontos está sendo construída para monitorar a fronteira dia e noite.

Só no trecho em torno de El Paso, existem 2,7 mil policiais monitorando a fronteira, além de agentes federais, agentes secretos e policiais da divisão de entorpecentes.

O prefeito e a polícia acreditam que os barões do tráfico não têm interesse em levar a violência para os Estados Unidos.

Eles sabem que a resposta do governo americano seria rápida e pesada, prejudicando sua capacidade de contrabandear drogas para o lucrativo mercado americano.

Medo

Então, com o declínio dos índices de criminalidade e estabilidade na fronteira, como esta cidade texana relativamente segura se viu no centro de um debate político sobre violência e de que forma o governo do presidente Barack Obama pretende lidar com isso?

O historiador David Romo diz que, em épocas de dificuldades econômicas, fronteiras e os imigrantes que as cruzam são usados como bodes espiatórios.

“Acontece todo ano de eleição, eles (os políticos) sabem que criar medo e histeria a respeito das fronteiras rende votos”, diz Romo.

Enquanto a violência continuar em Juarez, pior o panorama se torna para El Paso, apesar das baixas taxas de criminalidade.

O prefeito alega ter dificuldade em atrair novas empresas para a região.

"Os empresários não querem saber se somos a segunda cidade mais segura do país. Cabe a nós convencê-los, mas a tarefa é difícil."

Por enquanto, não há muito mais que o prefeito Cook possa fazer além de esperar.

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