Farc propõem diálogo com presidente eleito da Colômbia

Juan Manuel Santos
Image caption A guerrilha sofreu suas maiores baixas com Santos como ministro da Defesa

O dirigente máximo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Alfonso Cano, propôs um diálogo com o presidente eleito, Juan Manuel Santos, para encontrar uma saída negociada para o conflito armado colombiano.

"O que estamos propondo hoje, uma vez mais, é que conversemos (...) continuamos empenhados em encontrar saídas políticas", afirma Cano em um vídeo divulgado nesta sexta-feira pela emissora de TV árabe Al-Jazeera.

"Aspiramos que o governo que entra reflita, que não engane mais o país", acrescentou o líder guerrilheiro.

Cano disse ainda que a vitória de Santos "garante à oligarquia a continuidade de suas políticas e estratégias" e impõe ao novo governo a tarefa de "recompor o regime político colombiano, porque está cheio de ilegitimidade, porque foi permeado pelo narcotráfico, corrupção e impunidade", afirma Cano.

Santos, ex-ministro de Defesa de Álvaro Uribe, assumirá a Presidência no dia 7 de agosto.

Foi durante sua gestão na pasta de Defesa que as Farc, o maior e mais antigo grupo guerrilheiro colombiano, sofreram as piores baixas de sua história, com o assassinato de importantes dirigentes como Raúl Reyes e a deserção de milhares de rebeldes.

Posição

Entre os temas que estariam no acordo de diálogo proposto por Cano estão a revisão do acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos, que permite a tropas americanas o uso de sete bases militares colombianas, direitos humanos e direito internacional humanitário, economia e mudanças no regime político colombiano.

Cano afirmou que a única saída para terminar com a guerra colombiana, que já dura mais de seis décadas, é a saída negociada para o conflito armado.

"É preciso conversar (...), mas, se não nos deixam, não há remédio, a luta armada revolucionária continuará na Colômbia até que se alcance os objetivos", afirma Cano.

O líder guerrilheiro diz que as Farc propõem a construção de um "processo democrático" para a Colômbia e negou que o grupo esteja próximo do fim, como afirma o governo colombiano.

"Espero que o novo governo não continue enganando o povo colombiano dizendo que estamos no fim do fim ( ...) A guerra continua porque as causas do conflito continuam", afirmou.

Vídeo

O vídeo data de 20 de julho, dias depois de um enfrentamento entre Exército e o grupo armado que resultou na morte de doze guerrilheiros que pertenciam ao seu grupo de segurança.

Depois do ataque, o governo colombiano chegou a afirmar que estava "próximo" da captura do líder guerrilheiro.

Na apresentação do vídeo, que foi dividido em três partes, as Farc dirigem a mensagem ao novo governo colombiano e à Unasul (União de Nações Sul-americanas).

"Alfonso Cano", apelido de Guillermo León Sáenz, se tornou o máximo líder do grupo, fundado em 1964, depois da morte por causas naturais do líder-fundador da guerrilha Pedro Antonio Marín, conhecido como "Tirofijo" ou "Manuel Marulanda", em 2008.

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