Estados Unidos

Artista brasileiro radicado nos EUA faz esculturas em pontas de lápis

Arte na ponta do lápis

  • Alphabet
    O artista brasileiro Dalton Ghetti, baseado nos EUA, esculpe o grafite de lápis. SUa escultura mais famosa, Alphabet, levou dois anos e meio para ficar pronta. (Foto: STHPHOTO.com)
  • Boot
    Ghetti usa apenas lâminas de barbear e agulhas de costura para esculpir suas peças. Elas podem levar meses para ficar prontas. (Foto: STHPHOTO.com)
  • Chains
    Na série Correntes, ele esculpiu o grafite do meio do lápis, unindo as duas pontas. (Foto: STHPHOTO.com)
  • Church
    Ghetti começou a esculpir grafite quando ainda era estudante escolar, no Brasil. No passado, o público recebeu lentes de aumento em suas exposições. (Foto: STHPHOTO.com)
  • Hollow Cube
    O escultor, que trabalha no dia-a-dia como carpinteiro, diz que aprecia as coisas pequenas da vida, e por isso começou a esculpir os lápis. (Foto: STHPHOTO.com)
  • Sewing Needle and Spool
    "Se as pessoas pararem para olhar minhas peças, então, espero que percebam que há beleza nas pequenas coisas da vida", diz ele. (Foto: STHPHOTO.com)
  • Hand saw
    O escultor também faz referências às ferramentas usadas no seu dia-a-dia, como esta serra. A exposição fica em cartaz no New Britain Museum of American Art até o dia 29 deste mês. (Foto: STHPHOTO.com)

O artista brasileiro Dalton Ghetti, baseado em Connecticut, nos Estados Unidos, esculpe pontas de lápis desde que era criança, na escola.

Apontando seus lápis com uma lâmina de barbear, ele descobriu a textura macia do grafite e começou a experimentar, primeiro esculpindo nomes na madeira dos lápis.

O escultor chegou a experimentar outros materiais como giz, sabão e casca de árvore, mas optou pelo grafite de lápis número 2 e de lápis de carpinteiro.

Suas obras hoje estão na exposição Meticulous Masterpieces: Contemporary Art by Dalton Ghetti, Les Lourigan e Jennifer Maestre, no New Britain Museum of American Art, em New Britain, Connecticut.

Sem tecnologia

Carpinteiro por profissão, Ghetti pode levar meses e até anos para completar suas mini-esculturas.

Ele não usa lente de aumento ou nenhuma tecnologia, apenas lâminas de barbear e agulhas de costura. Ele procura sentar sob luz bem forte, de preferência do sol, e só trabalha nas esculturas durante uma hora e meia por dia, para poupar a vista.

Sua escultura mais famosa, Alphabet, de 2005, em que esculpiu todas as letras do alfabeto em pontas de 26 lápis, foi completada em dois anos e meio.

Em outras ocasiões, ele esculpiu ferramentas de seu dia-a-dia, como serras e um martelo. Na série Correntes, ele esculpiu o grafite do meio do lápis, unindo as duas pontas.

"Eu me interesso pelas coisas pequenas da vida - insetos, mariposas, aranhas. Passo um longo tempo observando-os. Tem todo um mundo microscópico por aí que as pessoas sequer notam", diz ele.

No passado, o público recebeu lentes de aumento ao visitar suas exposições, para poder ver os detalhes das esculturas.

"As pessoas veem minhas esculturas e olham de novo, de mais perto, e dizem: 'ah, tem algo aí'. Vivemos em uma sociedade de alta velocidade e não temos tempo para parar e refletir - é tudo vai, vai, vai. Eu espero que essas obras façam as pessoas parar e se dar conta de que há beleza em coisas pequenas."

Atualmente, Ghetti trabalha em um projeto em homenagem às vítimas dos atentados de 11 de setembro, em Nova York, em que vai esculpir uma lágrima em um lápis para cada morto na tragédia.

Ao todo, serão 3.000 mini-lágrimas que, juntas, formarão uma lágrima enorme. Ele estima que vai levar cerca de dez anos para completar o projeto.

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