Governo Berlusconi sobrevive a voto de desconfiança após racha em coalizão

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, durante sessão do Parlamento nesta quarta-feira (AFP, 4 de agosto)
Image caption Analistas afirmam que Berlusconi por antecipar eleições

O governo do primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, sobreviveu nesta quarta-feira a um grande teste no Parlamento com a rejeição de uma moção de desconfiança contra seu subsecretário de Justiça, Giacomo Caliendo.

A votação foi o primeiro grande desafio de Berlusconi no Parlamento desde que um grupo de deputados liderados pelo presidente da Câmara, Gianfranco Fini, deixou a coalizão governista.

Caliendo era acusado de tráfico de influência e manipulações para nomeações políticas e judiciais. Ele nega participação nas irregularidades.

O voto de desconfiança foi rejeitado por 299 parlamentares e teve apoio de outros 229. Setenta deputados se abstiveram – entre eles, o grupo de Fini.

Apesar de o primeiro-ministro já ter expressado determinação em permanecer no cargo até o final de seu mandato, em 2013, crescem as especulações de que ele antecipará as eleições.

O objetivo da manobra seria evitar que Fini tenha tempo de se consolidar como um grande adversário na arena política.

Racha

Fini, ex-aliado de Berlusconi, fundou com o primeiro-ministro em 2009 o partido Povo da Liberdade, que reunia a direita do país.

Mas, há pelo menos dois meses, ele vem criticando o suposto envolvimento do governo em casos de corrupção. Ele também pede a renúncia de políticos que são alvos de processos judiciais.

Em outro confronto com Berlusconi, o presidente da Câmara também colaborou para modificar um projeto que pretendia restringir a divulgação na imprensa de gravações telefônicas utilizadas em investigações judiciais.

Na semana passada, Fini fundou um novo partido, o Liberdade e Futuro para Itália.

O presidente da Câmara agora vem resistindo às pressões de Berlusconi para que renuncie à Presidência da Câmara dos Deputados.

Berlusconi já foi julgado várias vezes por corrupção, mas sempre contestou as acusações e nunca foi condenado. Seus opositores o acusam de promover mudanças na legislação para proteger seus interesses.

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