Paquistão emite alerta vermelho para província afetada por enchentes

Cheia no Paquistão
Image caption Governo retirou meio milhão de pessoas que vivem perto do rio Indus

O Paquistão emitiu neste sábado um alerta vermelho depois que as enchentes que devastaram áreas no norte do país atingiram a província de Sindh, no sul.

As autoridades já evacuaram mais de meio milhão de pessoas que vivem perto do rio Indus e centenas de vilas foram inundadas.

As piores enchentes em 80 anos já mataram pelo menos 1,6 mil pessoas e afetaram outras 12 milhões.

O presidente paquistanês, Asif Ali Zardadi, rebateu críticas de que deveria voltar de uma longa viagem ao exterior para lidar com a tragédia.

Em entrevista à BBC, Zardadi disse que seu gabinete está coordenando os esforços de ajuda aos afetados e que ele está sendo mantido informado sobre a situação.

“Eu sou quem deu todos os poderes da presidência ao Parlamento. O Parlamento está em sessão, o Senado está em sessão. É responsabilidade do primeiro-ministro e ele está cumprindo sua responsabilidade”, disse.

O presidente afirmou que garantiu promessas de ajuda dos países que visitou até agora, os Emirados Árabes Unidos, a França e a Grã-Bretanha.

Prioridades

A agência meteorológica do Paquistão previu mais chuvas fortes para a província de Khyber-Pakhtunkhwa, no noroeste do país, que já foi bastante afetada.

A região está apenas na metade da temporada anual de monções.

Todos os helicópteros entregando ajuda e resgatando sobreviventes na área foram proibidos de voar por causa do mau tempo.

Em um pronunciamento na televisão, o primeiro-ministro Yousuf Raza Gilani apelou por ajuda.

“Eu pediria à comunidade internacional que ajude e apóie o Paquistão a aliviar o sofrimento de seu povo afetado pela enchente”, disse.

Autoridades dizem que 650 mil casas foram destruídas, 557 mil hectares de plantações inundados e mais de 10 mil vacas morreram.

Uma autoridade da ONU para a Coordenadoria de Questões Humanitárias, Manuel Bessler, disse à BBC que com as plantações levadas pelas águas, muitos paquistaneses poderão ser forçados a depender de doações de alimentos para sobreviver ao inverno.

Ele disse que as prioridades imediatas para os desabrigados são água potável e assistência médica.

Correspondentes dizem que com muitas das vítimas acusando o governo de falhar em ajudá-las, o desastre está colocando ainda mais pressão em uma administração que já luta para conter a violência do Talebã e a crise econômica.

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