Advogado de iraniana condenada a apedrejamento pede asilo na Noruega

Mohammad Mostafaei e jornalistas
Image caption Mohammad Mostafaei conversou com jornalistas em Oslo no domingo

O advogado iraniano Mohammad Mostafaei, que está defendendo uma mulher condenada à morte por apedrejamento, pediu asilo político na Noruega ao chegar ao país neste domingo.

Mostafaei disse que deixou o Irã na semana passada temendo ser preso por defender sua cliente. Ele disse ter fugido para a Turquia por carro, cavalo e depois a pé. Ele chegou à Noruega, onde falou com jornalistas em Oslo no domingo.

Mostafaei é advogado da iraniana Sakineh Moahammadi Ashtiani, condenada à morte por ter cometido adultério.

O caso provocou revolta internacional, e a sentença foi suspensa e passará por revisão. Na semana passada, o Brasil ofereceu asilo político à Sakineh, mas teve sua oferta rejeitada pelo governo iraniano.

Visto de um ano

Mostafaei disse que foi interrogado por autoridades iranianas. Após o interrogatório, ele foi chamado para responder mais perguntas.

Quando ele não compareceu, ele disse que o governo iraniano prendeu sua mulher, Fereshteh, e seu irmão, para pressioná-lo a cooperar nos interrogatórios.

Mas Mostafaei fugiu no dia 24 de julho, dizendo que sua mulher não o perdoaria se ele se entregasse.

Image caption Sakineh Moahammadi Ashtiani foi condenada a morte por apedrejamento

Ele disse que sua mulher foi solta no sábado e agora espera reencontrá-la na Noruega, caso consiga obter o asilo político.

O advogado conseguiu um visto de permanência de um ano na Noruega, através da embaixada do país na Turquia.

O ministro das Relações Exteriores da Noruega, Jonas Gahr Stoere, divulgou um comunicado neste domingo no qual afirma que está "muito feliz que o advogado de direitos humanos Mohammad Mostafaie está seguro na Noruega".

Na nota, o ministro lamenta que "a pressão em advogados de defesa corajosos como Mostafaei seja tão grande, obrigando-o a fugir" e pede que o Irã respeite os direitos humanos.

Lula

No sábado, durante viagem a Bogotá, na Colômbia, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, voltou a defender sua decisão de oferecer asilo político a Sakineh Moahammadi Ashtiani, mas evitou criticar o regime do Irã.

"Essas coisas são muito delicadas porque você tem sempre que levar em conta a legislação de cada país, a soberania de cada país", disse Lula.

"Eu fiz questão de dizer na minha fala que como ser humano, como cristão que eu sou, eu não posso imaginar alguém ser morto apedrejado por traição. Eu não consigo imaginar, por isso que eu fiz o pedido. Se tivesse condições de mandá-la para o Brasil, nós receberíamos de braços abertos."

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