Mulher do advogado de condenada a apedrejamento é libertada no Irã

O advogado Mohammad Mostafaei durante coletiva de imprensa em Oslo, no último domingo  (AP, 8 de agosto)
Image caption Mulher de Mostafaei foi pressionada para revelar paradeiro de marido

A mulher do advogado Mohammad Mostafaei, que defende a iraniana Sakineh Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento no Irã, foi solta da prisão na noite de sábado, informou à BBC Brasil uma ativista de direitos humanos iraniana.

De acordo com a ativista Mina Ahadi, a esposa do advogado, Fereshteh Halimi, deixou a prisão de Evin sob fiança, depois de passar quase duas semanas confinada em uma solitária em Teerã, capital do país.

"Fui informada por Mostafaei que sua esposa Fereshteh estava bem e emocionada por reencontrar a filha de 7 anos", afirmou Ahadi.

A ativista lidera uma campanha em favor de Sakineh Mohammadi Ashtiani, de 43 anos, condenada à morte por apedrejamento no Irã por crime de adultério e que recebeu uma oferta de asilo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no final de julho.

Principal advogado de Ashtiani, Mohammad Mostafaei, que também é um conhecido ativista de direitos humanos, passou a se esconder desde o dia 24 de julho, por medo das autoridades iranianas.

A mulher de Mostafaei, Fereshteh, foi presa logo depois, sob a acusação de "acobertar um suspeito procurado".

"Ela sofreu muita pressão para revelar o paradeiro de seu marido. O governo exerceu intimidações contra a família de Mostafaei porque ele defendia os direitos de Ashtiani", diz Adahi.

Junto com a esposa de Mostafaei, também haviam sido presos seu cunhado e sogro, já soltos pelas autoridades iranianas.

Noruega

O advogado Mohammad Mostafaei, de 31 anos, chegou à Noruega no domingo, depois de deixar o Irã na semana passada e passar pela Turquia, onde tentou ganhar a condição de refugiado.

Em entrevista ao diário turco Hürriyet, Mostafaei revelou que já entrou com um pedido de asilo junto ao governo norueguês.

Leia também na BBC Brasil: Advogado de iraniana condenada a apedrejamento pede asilo na Noruega

Mostafaei contou que considerou se entregar às autoridades iranianas, mas depois mudou de ideia porque "a esposa nunca o perdoaria".

Ele também revelou que tomou a iniciativa de deixar o Irã depois de descobrir que as autoridades do país tinham a intenção de prendê-lo.

O iraniano afirmou que um amigo o levou de carro de Teerã até a cidade de Khoy, no noroeste do Irã, a cerca de 32 quilômetros da fronteira com a Turquia. "De lá, eu entrei no território turco a pé e até na carona de outra pessoa com seu cavalo", contou Mostafaei.

O advogado, no entanto, disse esperar que as autoridades iranianas o deixem retornar ao seu país para voltar a exercer sua profissão.

Segundo ele, a decisão de pedir asilo à Noruega se deveu ao fato de já ter obtido um visto de um ano e à "ótima reputação relativa aos direitos humanos do país nórdico".

Breve escala

Mostafaei deixou a Turquia no sábado, após ser detido brevemente por um problema relacionado ao seu passaporte.

No entanto, ainda não está claro se o iraniano permanecerá na Noruega. Ele disse que tinha esperança de que a pressão internacional forçaria o Irã a deixá-lo retornar ao país.

"Meu grande desejo é que eu consiga retornar e voltar ao meu trabalho. Mas isso apenas se as autoridades assegurarem meus direitos e minha segurança", disse Mostafaei ao Hürriyet.

De acordo com o advogado, vários de seus clientes têm seus direitos violados e sua situação atual estava impossibilitando-o de trabalhar em favor deles. "Sem minha profissão, não importa se estou no inferno ou no paraíso", disse.

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