EUA iniciam julgamento do último ocidental em Guantánamo

Ilustração mostra Omar Khadr na abertura do julgamento
Image caption As imagens de dentro do julgamento de Omar Khadr foram proibidas

Uma corte militar americana iniciou nesta terça-feira o julgamento do último ocidental mantido preso pelos Estados Unidos no centro de detenção da Baía de Guantánamo, em Cuba.

O canadense Omar Khadr, que tinha 15 anos quando foi capturado pelas forças militares americanas no Afeganistão, em 2002, é também o mais jovem preso em Guantánamo.

Este é o primeiro julgamento no local desde a posse do presidente Barack Obama, em janeiro de 2009. O presidente não cumpriu a promessa de campanha de fechar o campo de detenção instalado na base americana em Cuba até janeiro deste ano.

A enviada especial da ONU para crianças em conflitos armados, Radhika Coomaraswamy, afirmou que o julgamento de Khadr tem legalidade questionável e pediu que os Estados Unidos não prossigam com o processo.

Tortura

Khadr, nascido em Toronto, nega a acusação de ter matado um sargento americano e alega que assinou uma confissão do crime após ter sido torturado.

Na segunda-feira, um juiz militar americano determinou que a confissão poderá ser usada durante o julgamento.

O advogado de defesa de Khan, o coronel americano Jon Jackson, havia argumentado que a confissão foi obtida por meio de tratamento desumano, incluindo ameaças diretas de abuso sexual e morte.

Porém os promotores do caso dizem que, segundo agentes de inteligência do FBI e da Marinha americana, Khadr teria feito as declarações de livre e espontânea vontade.

Acusações

Khadr, hoje com 23 anos, se declarou inocente das acusações que incluem assassinato, conspiração e apoio ao terrorismo. Ele pode ser condenado à prisão perpétua se for considerado culpado.

O Canadá se negou a intervir no caso, apesar de um parecer emitido pela Suprema Corte do país de que os direitos de Khadr foram violados quando agentes canadenses o interrogaram na base de Guantánamo.

A promessa de Obama de fechar o centro de detenção em Cuba não foi cumprida por conta de uma série de disputas judiciais e políticas.

Mais de 170 homens ainda estão presos em Guantánamo.

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