Francês finge ser irmão para cometer crimes por 15 anos

A Justiça da França condenou na quinta-feira a 2,5 anos de prisão um homem que, durante 15 anos, usou a identidade do próprio irmão para cometer vários crimes.

Patrice Griffaton, 38 anos, também deverá pagar uma indenização de 15 mil euros (aproximadamente R$ 34,5 mil) ao seu irmão Pascal por prejuízos morais, além de mil euros à sua cunhada e 500 euros para cada um de seus três sobrinhos, totalizando 17,5 mil euros (cerca de R$ 40 mil).

Patrice furtou em 1995 documentos do irmão e tirou uma carteira de identidade em seu nome.

Durante todo esse período, ele cometeu em nome de Pascal inúmeros delitos, gerando condenações na Justiça por tráfico de drogas, excesso de velocidade e embriaguez ao volante, furtos e várias contas não pagas.

Histórico

Em fevereiro de 1996, Patrice já havia sido condenado pela Justiça por usurpar a identidade de Pascal. Mas ele foi solto e continuou se fazendo passar pelo irmão.

Ele havia sido indiciado em 2008 por usurpação da identidade, mas não compareceu ao julgamento realizado em abril deste ano. A Justiça havia emitido um mandado de prisão contra Patrice.

"Desde 1995 Patrice utiliza minha identidade para tudo o que ele faz. Ele trabalha sob minha identidade e dirige carros que ele compra sob minha identidade", afirmou o irmão.

Pascal, ex-cozinheiro de 33 anos, declarou ter recebido uma dezena de convocações da polícia pelos crimes cometidos por seu irmão Patrice e teve, a cada vez, que provar sua inocência.

"A cada ano eu tenho de justificar minha identidade às autoridades que descobrem minha história", afirmou Pascal.

Mesmo assim, ele já foi condenado três vezes por infrações cometidas pelo irmão mais velho e teve de passar alguns meses na prisão por embriaguez e uso de drogas ao volante.

Pascal também chegou a ser condenado por desacato à autoridade ao se recusar a dar a sua identidade em um controle policial.

Depressão

O irmão mais novo vive em depressão e chegou a cometer várias tentativas de suicídio, segundo seu advogado, Mickaël Boulay.

"Ele (Patrice) é um usurpador, um falsário. Saber que alguém da família pode fazer algo assim é um escândalo", disse Pascal.

"O prejuízo de Pascal é enorme. Ele vive essa situação desde os 18 anos de idade e teme que isso não acabe nunca. Ele tem uma mala pronta em casa para fugir caso seja condenado novamente no lugar do irmão", afirmou o advogado de Pascal.

Para justificar seus atos, Patrice, o irmão que usurpou a identidade, declarou no julgamento ter tido problemas com álcool e drogas.

Mas também, segundo ele, haveria uma rivalidade entre os dois irmãos. "Pascal é o queridinho da família. Nossos pais sempre preferiram o filho mais novo", disse Patrice.

Especialistas psiquiátricos afirmaram que Patrice sofreria de "carências afetivas precoces e permanentes".

Pascal acha que a pena de dois anos e meio de prisão aplicada ao seu irmão é leve. "Ele vai ser liberado e vai recomeçar porque faz anos que isso acontece", declarou.