Paquistão

Milhões de desabrigados continuam sem receber ajuda no Paquistão, diz ONU

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Agências da ONU advertiram nesta terça-feira que a maioria das pessoas afetadas pelas enchentes no Paquistão ainda não recebeu ajuda, acrescentando que a operação de auxílio sofre com falta de recursos financeiros.

Funcionários das Nações Unidas dizem que a situação humanitária no Paquistão é uma das mais sérias que eles já presenciaram.

Segundo eles, 6 milhões de pessoas precisam de ajuda imediata. Fundos de ajuda emergencial foram prometidos para ajudar cerca de 20 milhões de pessoas desabrigadas pelo desastre.

O Programa Mundial da ONU para a Alimentação até agora só distribuiu alimentos para menos de 1 milhão de pessoas.

De meio milhão de famílias desabrigadas que ainda precisam de barracas, somente 98 mil receberam abrigo.

Segundo a ONU, os obstáculos são financeiros e logísticos, já que pontes foram destruídas pelas águas e estradas foram bloqueadas por deslizamentos de terra.

Milhares de casas e de outros edifícios, incluindo escolas e hospitais, foram destruídos, e cultivos de alimentos para consumo doméstico e para exportação foram perdidos.

Uma das questões-chave agora é se os fazendeiros poderão plantar em setembro para a colheita de trigo no inverno.

Reconstrução

As autoridades paquistanesas dizem que o trabalho de reconstrução do país pode levar cinco anos e custar US$ 15 bilhões (cerca de 26,4 bilhões).

Vítimas das enchentes no Paquistão

Chuvas deixaram 20 milhões de desabrigados no Paquistão

As enchentes começaram há mais de duas semanas na região montanhosa do noroeste do país e já atingiram um quarto do território nacional, incluindo a principal região agrícola do Paquistão.

As inundações, que são as piores da história do país, já deixaram cerca de duas mil pessoas mortas.

Na segunda-feira, o Banco Mundial disse que daria um empréstimo de US$ 900 milhões para ajudar o país a se recuperar das enchentes.

Mas a operação de ajuda emergencial da ONU permanece com falta de fundos, com apenas 36% dos US$ 460 milhões em doações pedidos pela organização recebidos até agora.

Agências humanitárias dizem que tem sido difícil comunicar a escala do desastre para o resto do mundo.

“Esta é uma enchente que foi crescendo com o tempo”, disse à BBC Bill Berger, assessor regional para o Sul da Ásia da USAID, a agência de ajuda internacional do governo americano.

“Eu não acho que o mundo tenha se dado conta da magnitude disso até agora, porque a história foi crescendo devagar. Ela não tem o drama de um terremoto, que tem um impacto sobre um número enorme de pessoas de uma vez”, afirmou.

‘Déficit de imagem’

Agências humanitárias também responsabilizaram o “déficit da imagem do Paquistão” pela falta de doações, já que doadores em potencial temem que os fundos possam ser desviados para o extremismo no país.

Uma porta-voz da organização Care International disse à agência de notícias France Presse que a ONU deve fazer mais para convencer os doadores de que o dinheiro “não vai cair nas mãos do Talebã”.

Autoridades sanitárias haviam alertado anteriormente sobre a ameaça de epidemias de doenças transmitidas pela água contaminada e afirmam que 3,5 milhões de crianças estão sob risco.

Organizações internacionais afirmam que o Paquistão pode enfrentar uma “segunda onda de mortes” por causa de doenças e por causa da falta de água e alimentos.

Clique Leia mais na BBC Brasil: Doenças de enchentes ameaçam 3,5 milhões de crianças no Paquistão, diz ONU

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