Secretário-geral da ONU diz que Paquistão sofre um 'lento tsunami'

Paquistaneses afetados por enchentes recebem doação de alimentos (Getty Images, 19 de agosto)
Image caption Governo paquistanês afirma que cerca de 20 milhões foram afetados

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, fez um apelo nesta quinta-feira para que mais doações sejam enviadas para auxiliar as vítimas das enchentes no Paquistão e afirmou que o país asiático está sofrendo o que classificou como “um lento tsunami”.

Durante um encontro de emergência da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, Ban afirmou que a crise no Paquistão está longe do fim e disse que as enchentes que já mataram pelo menos 1,5 mil pessoas são um “desastre global”.

“Não tenham dúvidas, isto é um desastre global, um desafio global. É um dos maiores testes de solidariedade de nosso tempo”, afirmou Ban diante de representantes dos 192 países da ONU.

Ban, que visitou as regiões afetadas no último domingo, também afirmou que as necessidades do país tendem a aumentar e que as cerca de 20 milhões de pessoas atingidas estão precisando de abrigos, alimentos e cuidados de emergência.

“Isto é mais que toda a população atingida pelo tsunami no Oceano Índico, pelo terremoto na Caxemira, pelo ciclone Nargis (em Mianmar) e o terremoto do Haiti juntos”, disse.

“Senhoras e senhores, o Paquistão está enfrentando um tsunami lento. Seu poder destrutivo pode se acumular e crescer com o tempo”.

Doações

Segundo a ONU, só metade dos US$ 460 milhões que o órgão havia solicitado para auxiliar as vítimas foi arrecadada até o momento, e o ritmo de doações continua lento.

Cerca de um quinto das terras do Paquistão estão submersas e um em cada dez habitantes do país foi atingido pelas enchentes que começaram há três semanas.

Há temores de que ocorram novas inundações, já que o nível do rio Indo continua subindo no sul do país.

Mais de 1,5 mil pessoas morreram devido às enchentes, que também destruíram estradas e pontes e inundaram plantações.

Durante a reunião de emergência da Assembleia Geral da ONU, nesta quinta-feira, foi adotada uma resolução que pede ajuda internacional aos esforços do governo paquistanês para lidar com a crise.

Extremistas

De acordo com Kim Ghattas, repórter da BBC na ONU, a resolução não deve produzir nenhum plano de ação concreto, mas mostra como a ONU e os Estados Unidos estão preocupados com a ajuda internacional dada ao Paquistão até agora.

Segundo Ghattas, o objetivo da reunião foi chamar atenção para um desastre natural que terá um impacto duradouro em um país importante na luta contra o Talebã e Al-Qaeda.

O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Shah Mehmood Qureshi, afirmou nesta quinta-feira que qualquer falha em ajudar seu país neste momento pode ser aproveitada por extremistas.

“Se falharmos, podemos comprometer os ganhos feitos pelo governo em nossa difícil e dolorosa luta contra o terrorismo. Nós não podemos deixar que esta catástrofe se torne uma oportunidade para terroristas”, disse.

Também nesta quinta-feira, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, anunciou um aumento de US$ 60 milhões nas doações dos EUA ao país, que agora totalizam cerca de US$ 150 milhões.

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