Chilenos temem que tremores de terra comprometam resgate de mineiros

Policiais conversam em frente à entrada de mina onde trabalhadores estão soterrados no Chile (AP, 25 de agosto)
Image caption Trabalhos de resgate de mineiros ainda podem durar meses

Dois tremores de terra registrados na última quarta-feira no Chile aumentaram as preocupações sobre como um eventual terremoto poderia comprometer as operações de resgate do grupo de 33 trabalhadores que está preso desde o dia 5 de agosto em uma mina de cobre no norte do país.

Um dos tremores, de 4,5 graus de magnitude, atingiu a cidade de Copiapó, onde fica a mina, e foi sentido pelas equipes de resgate.

No entanto, segundo a intendente (cargo administrativo apontado pelo presidente chileno) da região de Atacama, Ximena Matas, o tremor não foi percebido pelos mineiros, que estão soterrados a cerca de 700 metros de profundidade.

“Eles nos comunicaram que não sentiram nada”, disse.

Minutos depois, outro tremor de 5 graus afetou a região de Antofagasta, também no norte chileno.

Desabamentos

Apesar de os dois tremores de quarta-feira não terem tido maiores consequências, equipes de resgate e autoridades locais temem os efeitos de mais tremores, especialmente se eles tiverem maior intensidade.

“Estamos fazendo todo o possível para protegê-los enquanto avançam os trabalhos de resgate. Mas não podemos protegê-los além das sondas de hidratação, alimentação, comunicação. Temos que torcer para que não ocorram novos tremores”, disse, por telefone, o responsável pela comunicação da administração de Atacama, Francisco García, que está em Copiapó.

Segundo ele, não se descarta que a mina possa sofrer “desabamentos interiores”, caso ocorram novos movimentos de terra.

“(Mas) nós temos a esperança de que isso não vai acontecer. Os trabalhos estão indo bem e os mineiros também estão otimistas”, afirmou.

Para o professor de Sismologia da Universidade do Chile, Mario Pardo, no entanto, “não há com o que se preocupar” em relação à ocorrência de novos temores.

“O país tem grande atividade sísmica e, ao mesmo tempo, mineração. Se houvesse motivo para preocupações, não teríamos minas no país”, afirmou.

Pardo explicou que tremores costumam ser frequentes em vários pontos do Chile, incluindo a região de Atacama, onde estão os mineiros, mas que os fenômenos sentidos na última quarta-feira não estão ligados ao grande terremoto de 8,8 graus de magnitude que matou pelo menos 500 pessoas no país em fevereiro.

“Estes tremores (desta quarta-feira) não estão ligados ao terremoto de fevereiro. Não são tremores secundários. E não se sente um tremor com maior ou menor intensidade por se estar nesta profundidade. Não há com o que se preocupar em relação aos mineiros e os tremores”, disse.

Indenização

Nesta quinta-feira, familiares de parte dos 33 trabalhadores soterrados afirmaram que pretendem apresentar o primeiro processo criminal contra os donos da mina San José e o Serviço Nacional de Geologia e Mineração (Sernageomin).

O advogado Ramberto Valdés, que representa as famílias, afirmou à BBC que a ação pretende especificamente que os proprietários da mina e as autoridades responsáveis por sua fiscalização sejam condenados por sua suposta responsabilidade no acidente.

Leia também na BBC Brasil: Familiares de mineiros querem processar donos de mina no Chile

Os mineiros entraram em contato pela primeira vez com as equipes de resgate no último domingo, por meio de um bilhete afixado em uma sonda que chegou ao local onde estão abrigados.

Eles estão recebendo água e alimentos no interior da mina, mas os trabalhos de resgate podem se estender por mais alguns meses.

Como será feito o resgate dos mineiros

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