Coreia do Norte liberta americano após pedido de Carter

Carter e Aijalon Mahli Gomes em Pyongyang
Image caption Carter e Gomes embarcaram nesta sexta-feira em voo aos EUA

O americano Aijalon Mahli Gomes, de 31 anos, foi libertado nesta sexta-feira pela Coreia do Norte, após a intermediação do ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter, que passou dois dias no país.

Gomes havia sido condenado a oito anos de trabalhos forçados em abril, após ser considerado culpado de entrar ilegalmente no país pela fronteira com a China.

Carter deixou a capital norte-coreana, Pyongyang, acompanhado de Gomes em um voo para Boston.

Gomes é um devoto cristão que vivia na Coreia do Sul, onde ensinava inglês. Ele teria decidido viajar em janeiro à Coreia do Norte, através da China, em uma ”missão de paz de um homem só”.

A visita de Carter à Coreia do Norte segue os passos da visita de outro ex-presidente americano ao país, Bill Clinton, que no ano passado conseguiu a libertação de duas jornalistas americanas detidas pela Coreia do Norte após atravessarem a fronteira.

Carter se reuniu com autoridades norte-coreanas na quarta-feira em Pyongyang no que descreveu como “uma viagem humanitária privada”.

Em sua chegada à Coreia do Norte, ele foi recebido pelo negociador nuclear norte-coreano, Kim Kye-gwan, segundo o relato da agência de notícias estatal do país, KCNA.

Negociações

Segundo a agência, as autoridades norte-coreanas relataram a Carter o desejo do país de retomar as negociações internacionais sobre seu programa nuclear.

O vice-premiê norte-coreano, Kim Yong-nam, “expressou o compromisso da República para desnuclearizar a península coreana e retomar as negociações de seis partes”, de acordo com o relato da KCNA.

As negociações de seis partes, envolvendo também Estados Unidos, Coreia do Sul, Japão, Rússia e China, estão paradas por impasse há vários meses.

A visita de Carter acontece em meio ao aumento da tensão entre a Coreia do Norte e o resto do mundo após o afundamento de um navio sul-coreano, em março.

Investigadores internacionais dizem que um torpedo norte-coreano afundou o navio Cheonan, provocando a morte de 46 marinheiros sul-coreanos.

Desde então, os Estados Unidos e a Coreia do Sul têm realizado uma série de exercícios militares conjuntos, provocando reações inflamadas das autoridades norte-coreanas.

A Coreia do Sul se recusa a voltar às negociações de seis partes se a Coreia do Norte não se desculpar pelo afundamento do navio, mas as autoridades norte-coreanas negam envolvimento com o incidente.

Apesar disso, a Coreia do Norte vem sofrendo pressões da China, seu principal aliado, para retomar as negociações.

Notícias relacionadas