Israel e palestinos avançam em negociações em Washington

Hillary Clinton (centro), com Netanyahu (esq.) e Abbas (dir) em Washington
Image caption Hillary Clinton afirmou que líderes tem a 'oportunidade de encerrar o conflito'

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, e o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, encerraram nesta quinta-feira em Washington a primeira rodada de negociações diretas de paz em 20 meses.

O enviado especial dos Estados Unidos, para o Oriente Médio, George Mitchell, disse que as negociações foram construtivas.

Segundo ele, os dois lados acertaram discutir primeiramente as bases para um possível acordo, depois de terem concordado que essa seria a melhor forma de abordar temas centrais e mais controversos depois.

Mitchell disse também que israelenses e palestinos concordaram em se encontrar novamente em duas semanas.

‘Oportunidade’

Abrindo o encontro, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou que Netanyahu e Abbas têm a "oportunidade de encerrar este conflito".

"Senhor primeiro-ministro, senhor presidente, vocês têm a oportunidade para encerrar este conflito e as décadas de hostilidade entre seus povos, de uma vez por todas", disse.

Clinton afirmou que os Estados Unidos "prometeram seu apoio total para estas negociações e nós seremos um parceiro ativo", mas, a secretária acrescentou que o governo americano não vai impor uma solução.

"As questões mais importantes no centro destas negociações, território, segurança, Jerusalém, refugiados, assentamentos e outras, não vão ficar mais fáceis se esperarmos, nem vão se resolver sozinhas", afirmou.

Netanyahu reconheceu que serão necessárias concessões dolorosas, de ambos os lados. Já Abbas, pediu que Israel suspenda a construção de todos os assentamentos e também o bloqueio à Faixa de Gaza.

O presidente americano, Barack Obama, iniciou as negociações e deu um prazo de um ano para que israelenses e palestinos cheguem a um entendimento.

Obama afirmou que o objetivo das negociações é fechar um acordo permanente para encerrar a ocupação israelense de territórios ocupados em 1967, e a criação de um Estado palestino independente e democrático, convivendo ao lado de Israel.

Tarefa difícil

Logo depois do pronunciamento de Clinton, os dois líderes reconheceram as dificuldades que terão que enfrentar.

"Sabemos como são difíceis as barreiras e obstáculos que enfrentaremos durante estas negociações - negociações que, dentro de um ano, deverão resultar em um acordo que trará a paz", afirmou Mahmoud Abbas.

"Pedimos ao governo israelense que siga em frente com seu compromisso de encerrar todas as atividades de (construção de) assentamentos e suspender completamente o bloqueio à Faixa de Gaza", acrescentou o líder palestino.

No entanto, para Netanyahu, "a paz genuína deve levar em conta as necessidades de segurança de Israel".

"Não será fácil", disse Netanyahu. "Paz verdadeira, paz duradoura, será alcançada apenas com concessões mútuas e dolorosas, de ambas as partes."

O editor da BBC para o Oriente Médio Jeremy Bowen disse que, se estas negociações falharem, será ainda mais difícil retomá-las na próxima vez.

Na terça-feira, quatro colonos israelense foram mortos a tiros em uma emboscada na Cisjordânia, perto da cidade de Hebron. Outros dois israelenses foram feridos a tiros também na Cisjordânia na quarta-feira.

O braço armado do movimento islâmico palestino, o Hamas, que controla a Faixa de Gaza, assumiu a responsabilidade pelos ataques.

Leia mais na BBC Brasil: Hamas desafia legitimidade de Abbas e ameaça mais atentados

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