Mesmo com desaceleração, PIB segue ‘acima do potencial’, dizem analistas

Image caption Para economistas, economia continua crescendo acima de seu potencial

Como já previsto pelo mercado, a economia brasileira entrou em rota de acomodação no 2º trimestre, com um crescimento de 1,2% - abaixo, portanto, da forte expansão registrada no início do ano, quando o PIB cresceu 2,7%.

Mas, apesar da “freada”, a economia brasileira segue crescendo “acima de seu potencial”, na avaliação de analistas consultados pela BBC Brasil.

O PIB potencial reflete a taxa pela qual um país pode crescer sem gerar inflação – ou seja, seu limite para um crescimento sustentável. Para muitos analistas, essa taxa no Brasil está em torno de 4,5% ou 5% de expansão anual.

O crescimento do 2º trimestre, que ficou acima das expectativas do mercado e também do governo, poderá levar o PIB brasileiro a uma expansão acima de 7% este ano. O Banco Central estima um crescimento de 7,3%.

“A economia fechará o ano com um crescimento acima do potencial, com a economia ainda mostrando sinais de excesso na demanda”, diz um relatório da agência de classificação de risco Moody’s.

‘Rápido demais’

O economista-chefe da Máxima Asset Management, Elson Teles, concorda que a economia brasileira esteja rodando “rápido demais”, mas segundo ele, o nível de 7% de crescimento anual não reflete, exatamente, a situação atual.

“Na verdade, esse resultado (de 7%) está muito influenciado pelo forte crescimento do 1º trimestre. A economia já não está mais rodando nesse ritmo, mas, ainda assim, há sinais de uma demanda excessiva”, diz.

No início do ano, quando o PIB brasileiro cresceu a um “ritmo chinês”, muitos economistas temiam um cenário de “superaquecimento” no país – situação em que o consumo está muito superior à demanda e que pode gerar aumento de preços.

Na opinião de Teles, o perigo do superaquecimento “diminuiu, mas ainda existe”. “Não estamos mais crescendo tanto, como ocorreu no 1º trimestre, mas ainda existe um descompasso entre oferta e demanda no país”, diz.

Transição ‘tranquila’

O crescimento acima do esperado no 2º trimestre traz questionamentos sobre a atuação do Banco Central, que na reunião desta semana decidiu manter a taxa básica de juros inalterada em 10,75% ao ano.

Ao interromper a elevação da Selic, a autoridade monetária passou a mensagem de que o crescimento da economia já estaria entrando em uma rota sustentável.

Para os economistas da Gradual Investimentos, a economia está crescendo “acima de sua tendência histórica”. A consultoria ainda critica a manutenção da taxa de juros na última reunião do Copom.

“Esse movimento, no entanto, destoa do discurso do Banco Central, apresentado em comunicado nesta semana, quando o Copom optou pela manutenção dos juros”, diz a consultoria, por meio de relatório.

“Se por acaso o Copom tivesse aumentado em 0,5 ponto percentual a Selic, na última quarta-feira, a transição entre o atual governo e o próximo teria sido mais tranquila. Perdemos esta oportunidade”, acrescenta o texto.

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