Britânico é condenado por tentar vender dados secretos

Entre os dados oferecidos, estavam listas de empregados e detalhes sobre softwares usados para a coleta de informações
Image caption Daniel Houghton pediu 2 milhões de libras por informações secretas

Um ex-funcionário do MI-6, o serviço secreto britânico, foi condenado nesta sexta-feira a 12 meses de prisão por tentar vender dados secretos por 2 milhões de libras (cerca de R$ 5,3 milhões).

Daniel Houghton, 25 anos, que trabalhou no MI-6 entre 2007 e 2009 como engenheiro de software, se declarou culpado em uma audiência e será imediatamente liberado, por já ter cumprido metade da sentença enquanto aguardava julgamento.

Houghton, morador do bairro londrino de Hoxton, tentou vender, em março deste ano, cópias de arquivos eletrônicos para agentes holandeses. Entre os dados oferecidos, estavam listas de empregados e detalhes técnicos sobre softwares usados para a coleta de informações.

Depois da oferta, os holandeses alertaram autoridades britanicas. Houghton se declarou culpado de duas acusações e, inocente de outra (roubo de material), o que foi aceito pelo tribunal.

“Guiado por vozes”

Os agentes holandeses filmaram e realizaram escutas de Houghton enquanto ele mostrava os arquivos e oferecia listas de agentes com quem havia trabalhado.

Depois que o preço foi reduzido para 900 mil libras, o engenheiro de software entregou os dados e recebeu uma maleta cheia de dinheiro, mas foi preso em seguida.

No apartamento de Houghton, a polícia descobriu vários papeis marcados com “top secret” (“ultrassecreto”, em tradução livre).

Também foram encontrados um cartão de memória com mais de 7 mil arquivos e um disco rígido com documentos confidenciais.

O réu alegou que havia sido “guiado por vozes” a cometer os crimes. O juiz do caso disse não saber se sua afirmação era verdadeira e descreveu Houghton como um “jovem estranho”.

O advogado do ex-funcionário, David Perry, afirmou que seu cliente não era um “ideólogo” planejando revelar material secreto a um Estado hostil.

O MI-6 não quis fazer comentários sobre a brecha de segurança.

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