Soros doa US$ 100 milhões a grupo de direitos humanos e critica EUA

Soros fez ao Human Rights Watch sua maior doação a uma ONG
Image caption Para o megainvestidor, os EUA perderam 'autoridade moral'

O megainvestidor George Soros anunciou nesta terça-feira que doará US$ 100 milhões (cerca de R$ 172 milhões) à organização internacional de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch, sediada nos Estados Unidos.

Ao anunciar a doação, Soros criticou a postura do governo americano em relação aos direitos humanos depois da Presidência de George W. Bush (2001-2009).

“Os Estados Unidos perderam sua autoridade moral sob o governo Bush. Houve tantas violações dos direitos humanos cometidas por americanos. Isto pôs um tanto em perigo a credibilidade, a legitimidade dos americanos em estarem na linha de frente da defesa dos direitos humanos”, disse o megainvestidor em entrevista à rádio pública americana NPR.

“Temos que reconhecer os excessos cometidos em relação à Guerra do Iraque e melhorar a (nossa) reputação, senão isto vai pesar sobre nós para sempre.”

O investidor dará o dinheiro ao longo dos próximos dez anos por meio da Open Society Foundations, organização filantrópica criada por ele, mas com a condição de que a Human Rights Watch arrecade outros US$ 100 milhões de outros doadores privados.

Esta foi a maior doação feita por Soros a uma organização não-governamental. Em março, a revista Forbes estimou a fortuna do megainvestidor em R$ 14 bilhões (aproximadamente R$ 24 bilhões).

Expansão global

Soros afirma que seu objetivo é expandir e aprofundar a presença da Human Rights Watch pelo mundo, estimulando a contribuição de filantropos fora dos Estados Unidos ou da Europa, regiões de onde vêm a maior parte das contribuições para a organização.

Para ele, a Human Rights Watch deve estar presente em diversas capitais ao redor do mundo, tratando de assuntos locais e em conjunto com governos e outros grupos de defesa dos direitos humanos.

“Em cinco anos, o objetivo é (a Human Rights Watch) ter metade de sua renda e a maioria dos integrantes de seu conselho vindo de fora dos Estados Unidos”, disse Soros.

O diretor do Human Rights Watch, Kenneth Roth, também vê importância em aumentar o alcance da organização. “Acabar com sérios abusos requer a pressão de qualquer governo que tenha influência, incluindo poderes emergentes no sul do globo”, afirmou.

O Human Rights Watch é presente em 90 países e tem uma equipe de aproximadamente 300 pessoas.

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