Obama rejeita redução de impostos para ricos

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, faz discurso em Cleveland  (AFP/Getty)
Image caption Obama afirma que economia americana está 'crescendo novamente'

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, voltou a rejeitar nesta quarta-feira a manutenção da redução de impostos para "milionários e bilionários", em vigor durante o governo de George W. Bush.

"Isso não é para punir os que estão melhores. Que Deus os abençoe. É porque nós não podemos sustentar o preço de US$ 700 bilhões (cerca de R$ 1,21 trilhão)", disse o presidente, em um discurso em Cleveland, no Estado de Ohio.

Os republicanos querem renovar a redução de impostos para quem ganha mais de US$ 250 mil (cerca de R$ 432 mil) por ano, que expira no próximo ano. Apesar de ser contra a medida, Obama é favorável à redução de impostos para quem ganha abaixo dessa faixa de renda.

O discurso foi a segunda manifestação sobre a economia feita pelo presidente nesta semana, à medida que se aproximam as eleições legislativas de 2 de novembro, quando os democratas correm o risco de perder a maioria no Congresso.

A lenta recuperação da economia americana e a alta taxa de desemprego, atualmente em 9,6%, estão entre as principais preocupações dos eleitores.

Campanha

Em seu pronunciamento, Obama detalhou uma proposta de redução de impostos para empresas que investirem em máquinas e equipamentos.

Na segunda-feira, feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos, Obama já havia anunciado um plano de investir US$ 50 bilhões (cerca de R$ 86 bilhões) em projetos de infraestrutura.

Ambas as propostas dependem de aprovação do Congresso, o que a própria Casa Branca admite que pode não ser fácil às vésperas das eleições.

O feriado do Dia do Trabalho marca tradicionalmente o início da campanha eleitoral nos Estados Unidos, e o discurso desta quarta-feira foi pontuado de críticas às políticas republicanas.

"Eu reconheço que a maioria dos republicanos no Congresso disse não para quase todas as políticas que eu propus desde que assumi a Presidência", disse o presidente

"Eles devem pensar que isso vai levá-los aonde precisam chegar em novembro, mas não vai levar nosso país aonde precisa chegar no longo prazo", afirmou.

Ritmo lento

O presidente disse que a economia americana "está crescendo novamente", mas admitiu que o ritmo ainda é lento.

"Os mercados financeiros se estabilizaram. O setor privado criou empregos pelos últimos oito meses consecutivos. E há cerca de 3 milhões de americanos que estão trabalhando hoje por causa do plano econômico que estabelecemos", afirmou.

"Mas a verdade é que o progresso tem sido dolorosamente lento", disse.

Obama também reconheceu a frustração dos americanos com a situação econômica do país.

"As pessoas estão frustradas e irritadas e ansiosas em relação ao futuro", afirmou.

"Eu entendo isso. Eu também entendo que em uma campanha política, o mais fácil para o outro lado é usar esse medo e essa irritação até o dia da eleição", disse.

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