Erenice Guerra deixa cargo de ministra-chefe da Casa Civil

Erenice Guerra (Foto: Wilson Dias/ABr)
Image caption Guerra pediu demissão em caráter irrevogável e negou acusações

O governo anunciou nesta quinta-feira a demissão da ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, que será temporariamente substituída por Carlos Eduardo Esteves, secretário-executivo da pasta.

A decisão foi tomada depois de duas denúncias sobre suposto tráfico de influência envolvendo o filho da ministra, Israel Guerra, que teria cobrado propina para facilitar a execução de projetos de empresas privadas.

Na carta de demissão enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Erenice negou as acusações, mas acrescentou que teria de deixar o cargo para se defender do que chamou de uma “sórdida campanha” para “desconstruir” sua imagem.

Reportagem do jornal Folha de S. Paulo publicada nesta quinta-feira aponta a intermediação de Israel Guerra em um pedido de empréstimo da empresa EDRB, do setor de energia, ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A denúncia foi feita ao jornal pelo consultor Rubnei Quícoli, consultor da EDRB, que acusa Israel de ter cobrado uma “comissão” no valor R$ 240 mil pelos “serviços” prestados, além de R$ 5 milhões que ajudariam na campanha da candidata Dilma Rousseff (PT) à Presidência.

De acordo com relato do consultor à Folha de S. Paulo, a empresa teria sido orientada por um servidor da Casa Civil a “procurar” a Capital Consultoria, empresa em nome de Saulo Guerra, também filho de Erenice Guerra e irmão de Israel, para facilitar a liberação de um empréstimo no valor de R$ 9 bilhões junto ao BNDES.

Denúncia

Outra denúncia contra Erenice Guerra foi publicada na revista Veja desta semana, também ligando Israel a uma suposta negociação para beneficiar a empresa MTA Linhas Aéreas, que buscava uma renovação de concessão junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

A revista afirma que Erenice “viabilizou” o sucesso do filho, mas não há provas ou relatos de que a então ministra tenha participado diretamente das negociações.

Inicialmente, o Palácio do Planalto indicou que manteria Erenice no cargo. No entanto, uma nota divulgada pela ministra na terça-feira causou mal-estar no governo ao culpar a campanha eleitoral e um “candidato aético e já derrotado” pela onda de denúncias.

A avaliação do Planalto é de que a nota de Erenice, somada à denúncia do jornal Folha de S. Paulo, tornaram a situação da ministra “insustentável”. Segundo a Presidência, o novo ministro da Casa Civil será anunciado na próxima semana.

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