TV iraniana exibe imagem que seria de Sakineh negando tortura

Sakineh Mohamaddi Ashtiani
Image caption O caso da iraniana foi manchete em todo o mundo

Um canal de TV estatal iraniano veiculou, na quarta-feira, uma entrevista onde uma mulher identificada como a iraniana Sakineh Mohammadi-Ashtiani, sentenciada à morte por apedrejamento, declara não ter sofrido tortura.

Ashtiani, cujo caso vem fazendo manchetes em todo o mundo, é acusada de adultério.

A ONG de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional condenou o que qualificou de "confissões" televisadas, dizendo que elas vêm sendo usadas repetidamente pelas autoridades para incriminar indivíduos sob custódia.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, disse que o apoio de países ocidentais a Ashtiani tem motivações políticas e revela a prática de dois pesos e duas medidas.

Matéria

Em um boletim de notícias, o canal IRTV2 transmitiu uma reportagem sobre o caso de Ashtiani, contendo imagens de uma entrevista anterior, que foi ao ar no dia 12 de agosto.

Trechos da reportagem mostram uma mulher cujo rosto não pode ser identificado dizendo à câmera que não foi coagida por tortura a fazer os comentários contidos em sua primeira entrevista.

As declarações, no dialeto azari, são traduzidas para o persa por meio de legendas.

"Não fui torturada de forma alguma. Estas são minhas próprias declarações. Ninguém me obrigou a aparecer diante das câmeras. Tudo o que estou dizendo são minhas próprias palavras", diz a mulher, identificada com as iniciais S.A.

A entrevista também faz alusão a relatos da mídia ocidental de que Ashtiani teria recebido 99 chibatadas após a publicação, por um jornal ocidental, de uma foto mostrando uma mulher sem o véu islâmico identificada como Ashtiani.

O entrevistador afirma que a mulher na foto não é Ashtiani e depois pede que ela confirme se recebeu ou não as 99 chibatadas.

"Não, eu não confirmo. Tudo isso são mentiras e rumores", diz a mulher.

Ashtiani foi condenada em maio de 2006 por ter tido "relações ilícitas com dois homens depois da morte de seu marido.

Anistia

Comentando o caso, Hassiba Hadj Sahraoui, da Anistia Internacional, disse:

"Essas chamadas confissões fazem parte de um número crescente de confissões forçadas e declarações autoincriminatórias feitas por muitos presos no ano passado".

"Declarações feitas nesses diálogos televisados não devem influenciar o sistema legal iraniano ou o pedido para que seu caso seja revisto", acrescentou Sahraoui.

Falando à agência oficial de notícias do Irã, Irna, o ministro das Relações Exteriores do país disse que países que violam direitos humanos em prisões como Guantanamo e Abu Ghraib não deveriam se colocar na posição de advogados dos direitos humanos.

Em alusão clara à oferta, pelo presidente Lula, de asilo para a iraniana no Brasil, Mottaki disse que criminosos não deveriam receber refúgio em outro país.

Notícias relacionadas