Jornal egípcio defende manipulação de foto que põe Mubarak à frente de Obama

Cortesia do jornal Al-Ahram
Image caption Na imagem alterada Mubarak caminha à frente de Obama

O jornal estatal egípcio Al – Ahram defendeu, nesta sexta-feira, a decisão de publicar uma foto modificada de chefes de Estado presentes em Washington, na qual o presidente egípcio, Hosni Mubarak, aparece à frente de outros líderes, incluindo o presidente americano, Barack Obama.

Na foto original, Mubarak caminha atrás de Obama, do premiê israelense, Binyamin Netanyahu, do presidente palestino, Mahmoud Abbas e do Rei Abdullah II, da Jordânia, reunidos para o recomeço das negociações de paz no Oriente Médio no início de setembro.

Image caption A foto original foi tirada em 1° de setembro, na Casa Branca

Em editorial publicado nesta sexta-feira, o editor-chefe do jornal, Osama Saraya, afirmou que a versão alterada foi feita para ilustrar o papel importante do Egito no processo de paz. A imagem adulterada permanece no site do jornal.

"A foto é uma expressão da postura proeminente do presidente Mubarak na questão palestina, e seu papel único de liderança, antes de Washington ou qualquer outro país", escreveu Saraya.

O jornalista disse ainda que a foto original já havia sido publicada no dia em que as negociações começaram.

A imagem foi publicada na última terça-feira ilustrando o artigo "O caminho de Sharm el-Sheikh", em referência à etapa do processo realizada no Egito, com a presença da secretária de Estado americana Hillary Clinton.

'Falta de profissionalismo'

A alteração da foto foi exposta pelo blogueiro egípcio Wael Khalil e virou alvo de chacota entre os opositores do governo de Mubarak.

Outras montagens apareceram na internet, mostrando o presidente na lua e segurando a taça da Copa do Mundo.

O movimento "Juventude do 6 de abril", de oposição, acusou o Al-Ahram, que é o jornal de maior circulação no país, de "falta de profissionalismo" por publicar a imagem sem menção da alteração.

"É a isso que a mídia do regime corrupto foi reduzida", disseram em comunicado em sua página de internet. O grupo afirmou ainda que o jornal "cruzou a linha do equilíbrio e da honestidade".